Quinta-feira, 22 de junho de 2017
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Seu filho não estuda. O que fazer

Por Norma Leite Brandão *


Ele está numa excelente escola. Também freqüenta cursos extra-curriculares. Mas sua cabeça? Está nas festas, no cinema, nos shoppings. Livros? Nem pensar!

Esse parece ser o cenário atual. Os pais suam a camisa, pagam a escola a duras penas, correm de um lado para o outro, disponibilizando cursos de línguas, de informática, atividades esportivas... E o estudo? Como é que fica mesmo? Aquele estudo formal, metódico, acadêmico? Como anda a disciplina dos jovens para se debruçar nos cadernos e livros?


Você tem a resposta, sim. O tempo de concentração é mínimo, os livros são trocados por qualquer atividade. Tudo, absolutamente tudo parece ter mais peso em suas vidas: o filme que estreou, a balada de quinta-feira à noite, o recente show do artista predileto, o lançamento de um novo CD, o bate-papo informal na casa de amigos.

Direitos e deveres

Ah...o social. Essa é uma fase da vida em que o social tem, de fato, uma enorme importância. Como se ele determinasse tudo. O que ocorre, porém, é um enorme desequilíbrio entre as inúmeras "atrações", apelos da vida moderna e o tempo dedicado às obrigações. Retorna o eterno conflito entre direitos e deveres. Se ele é eterno, também é verdadeira a máxima de que a cada direito corresponde um dever.


Ôpa! Então algo deve estar mesmo errado! Pense bem. Talvez jamais essa moçada tenha tido tantos direitos. Em profusão. Faça um exercício. Pegue uma folha, pense em seu filho e complete: ele tem o direito de... chegar tarde em casa, ver TV a tarde toda, pendurar-se horas a fio no telefone, beber numa roda de amigos, falar palavrão a todo momento... Tente completar e verá que a lista é infindável.

Os difíceis limites

Os tempos mudaram? Sim. Realidade inquestionável. Porém, onde foram parar os deveres que acompanham essa série de conquistas? Hoje os pais correm, enlouquecidos, para "dar conta" das responsabilidades dos filhos. Fazem isso com a melhor das intenções, mas, no afã de ajudar, perdem a mão. Extrapolam. E o que tem isso a ver com os estudos?


Bem, enquanto os pais não compreenderem que o cumprimento de algumas regras básicas, dentro da família, é fundamental no desenvolvimento da autodisciplina, todo o resto perderá o sentido. Esqueça a idéia de que simplesmente pagar uma boa escola e oferecer cursos diversificados resolverá o problema. Muitas vezes, imbuídas dessa idéia, as famílias transferem para a escola uma questão que é principalmente delas. Professores devem lidar com o conhecimento dentro da esfera da instituição.


Pais têm a obrigação de dar os instrumentos, em casa, para que a disciplina e a autonomia de desenvolvam. Se necessário for, terão a necessidade de dizer NÃO, cortar passeios, cinemas, controlar horários, o tempo ao telefone... Não, isso não significa tirar de seu filho o direito de ser jovem, mas de ajudar a escola a mostra-lhe que há momento para tudo. Ensiná-los a administrar bem o tempo, a fim de se sentirem produtivos e, também, com direito ao lazer é tarefa de escola e família em parceria.

Em busca da autonomia

Difícil? Sim. Principalmente se a eterna culpa dos pais estiver presente. Pois se esqueça dela nesse instante. Os pais não podem se sentir culpados quando buscam oferecer o que há de melhor aos filhos. Devem, sim, ter em mente que o mundo de hoje e o do futuro pedirá, aos jovens, determinação, disciplina e persistência. Por isso mesmo, fazê-los compreender essa necessidade por meio do estudo é essencial. Algumas vezes você "baterá de frente", noutras, negociará alguns desejos, mas o importante é que percebam que nada no mundo nos é dado de graça. A batalha é árdua e eles devem estar minimamente preparados para o que virá.


No dia em que os pais se convencerem definitivamente de que no mundo atual tão importante quanto o conhecimento é a conquista de algo denominado autonomia, talvez consigam fazer com que os filhos efetivamente se debrucem em pesquisas, estudos. Nesse dia, quem sabe, conseguirão puxar-lhes o freio de mão, deixar de acelerar nos momentos certos, enfim, aparar as arestas de uma forma mais produtiva e eficaz. Permitir-lhes ter equilíbrio entre o prazer e a obrigação. Nesse momento não terão receio do NÃO, da palavra mais dura ou firme. Nesse instante, serão simplesmente pais, exercendo seu papel sem culpas ou maiores anseios.


* Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


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