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As causas da infertilidade feminina

Por Dr. Paulo César Serafini * em 06/06/2001


São vários os motivos que geram a infertilidade entre as mulheres. Das disfunções da ovulação às doenças congênitas, passando pelas sexualmente transmissíveis, há muitas variáveis a serem consideradas quando ela não consegue engravidar. Conheça um pouco m

A probabilidade de que a infertilidade seja causada pela mulher é exatamente idêntica à causada pelo homem, participando cada cônjuge individualmente em aproximadamente 30 a 40% das vezes. As causas de infertilidade feminina podem ser dividas em cinco categorias maiores:

1.Disfunções da ovulação;

2.Doenças das tubas de Falópio (disfunções do transporte do óvulo ou do óvulo fertilizado, embrião);

3.Endometriose pélvica;

4.Doenças congênitas e genéticas;

5.Abortamento espontâneo de repetição.

Disfunções da ovulação

As disfunções ovulatórias perfazem um total de até 50% das causas de infertilidade feminina. O comando e o orquestramento de complexa interação de hormônios do hipotálamo, hipófise e ovário apresentam alterações de função acarretando a falta ou disfunções como ciclos menstruais irregulares, muito prolongados (superior a 35 dias) ou muito curtos (inferior a 21 dias) bem como outras alterações.

A causa mais freqüente de ciclos longos é a síndrome dos ovários policísticos geralmente associada ao aumento do tamanho dos ovários, obesidade, aumento excessivo de pêlos, oleosidade da pele e acne, entre outras manifestações. O aumento da testosterona (hormônio masculino) é altamente prejudicial ao desenvolvimento dos óvulos normais.

O aumento do hormônio chamado de prolactina, que prepara a mama para a amamentação, freqüentemente encontrado em mulheres que usam antidepressivos, antialérgicos, sonoríferos, drogas recreativas entre outras, ou apresentam um tumor na hipófise (glândula responsável pela liberação de FSH, LH e prolactina).

Liberação inadequada de progesterona após a ovulação e insuficiência ovariana prematura como menopausa precoce complementam a grande lista destas causas que comprometem a ovulação.

Disfunções do transporte do óvulo e do embrião

As formações cicatriciais (aderências) podem obstruir as vias de transporte do óvulo e embrião, causando infertilidade, e até levar à gravidez tubária (ectópica). Dependendo da população avaliada, esta causa oscila entre 20 a 50% dos casos de infertilidade feminina.

Uma verdadeira epidemia de doenças sexualmente transmissíveis registrada nas duas últimas décadas (estima-se que 12 milhões de pessoas tenham sido afetadas por elas), tem causado infecção das tubas (salpingite, doença inflamatória pélvica). A infecção dos órgãos pélvicos pode levar ao comprometimento da função de transporte e, conseqüentemente, infertilidade.

As causas mais freqüentes são a gonorréia e as doenças causadas pela clamídia. Uma infecção por estes agentes, quando não tratada ou tratada de forma tardia/inadequada, pode levar a doença irreparável em 20% das vezes. Outros agentes como bactérias do trato digestivo inferior, tuberculose, infecções associadas ao uso de dispositivo intrauterino (DIU) também comprometem a fertilidade.

Endometriose pélvica

Em mulheres com endometriose, as células de revestimento interno do útero se desenvolvem fora do mesmo (como nos ovários, ao redor das tubas e de outros órgãos pélvicos) causando processo inflamatório (não infeccioso, purulento) crônico. Estes podem causar alterações no transporte dos óvulos e embriões -devido a aderências, obstruções tubárias - ou modificações químicas do meio ambiente onde o óvulo e o espermatozóide se encontram para o processo de fertilização, disfunções hormonais e até abortamento espontâneo.


Acredita-se que a incidência de endometriose seja de tal monta que em até 40% de todas as mulheres inférteis tenham endometriose, principalmente após os trinta anos de idade. Esta doença, dependendo de seu estágio, pode causar dor antes da menstruação, ao redor do período da ovulação e dor durante o relacionamento sexual.

Doenças congênitas e genéticas

As doenças congênitas ocorrem na formação da pessoa durante a gestação e não são causadas por um gene especifico. Podem causar malformações do útero, cervix, vagina, e tubas. Dependendo da severidade do caso podem levar à esterilidade.

As doenças genéticas são mais raras, e a mais comum e dramática é a doença de Turner, onde os ovários não se desenvolvem e a ovulação e a menstruação nunca ocorrem. As mulheres afetadas por ela tendem a ser muito baixas (em torno de 1.5 m) e podem apresentar outros problemas físicos.

Outras doenças adquiridas como miomas (fibromas), pólipos, doenças orgânicas e sistêmicas podem, também, comprometer as funções essenciais do organismo feminino.

A questão do abortamento espontâneo de repetição será tratado, com mais detalhes, em outro artigo.


* Dr. Paulo César Serafini é Diretor Geral do Huntington Centro de Medicina Reprodutiva Brasil. Pós-graduado na University of Southern California (USC) em Los Angeles (USA). Especialista em Ginecologia, Obstetrícia e Reprodução Humana pelo Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia dos Estados Unidos.


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