Quinta-feira, 22 de junho de 2017
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Medo do desconhecido

Por Luiza Helena Marcondes *


Bicho papão, fantasma, palhaço, lagartixa, gafanhoto. Seu filho, em algum momento da vida, já deve ter sentido medo dessas e outras figuras. Mas por que as crianças têm tanto pavor de personagens fictícios e de certos animais?

Alguma vez você passou a noite em claro, com seu filho no colo, porque ele choramingava com receio de ficar sozinho ou dormir no escuro? Se a resposta for
afirmativa, tenha a certeza de que não foi a única. Muitas crianças passam por momentos como esse. Elas estão vivendo um período de angústia e sofrimento por não saberem o que realmente lhes incomoda.


O medo faz parte do desenvolvimento de toda criança. "É uma característica do ser humano e funciona como um mecanismo de defesa", diz Luciana Gentilezza, psicóloga infantil, de São Paulo. Seu filho muitas vezes imagina estar correndo riscos num ambiente escuro, próximo a um cachorro, ou cercado por indefesas borboletas. Mas à medida em que ele cresce o temor diminui e tende a desaparecer completamente.



Segundo a especialista, crianças menores de três anos, em geral, têm pavor de bichos voadores, pessoas fantasiadas e elevador. A manifestação da fobia pode ser com choros, gemidos, esperneios e gritos. Mas a partir do momento em que aprendem a falar, em geral em torno dos dois anos, passam a dar certas pistas dos motivos geradores do pânico.

Fantasias correm soltas

A função do medo é "ligar" os sensores audiovisuais frente a situações de perigo. Os bebês nascem com esse mecanismo, mas não podem controlá-lo. Quando crescem, aprimoram os sentidos por meio de tentativas de erro e acerto. "Se uma criança vê uma bola no meio da rua, sai correndo para pegá-la porque não tem noção do perigo", diz o psicólogo Vicente Nogueira, de São Paulo. Com um alerta dos pais, ela descobre que não pode fazer isso.


"O ser humano precisa encontrar explicações para aquilo que não conhece ou não identifica", garante Nogueira. As crianças também. E embora não tenham a consciência disso, abusam da imaginação para dar forma ao seu medo. Quando estão num quarto escuro, por exemplo, ficam aterrorizadas por qualquer barulho desconhecido.



No subconsciente, o ruído pode ser associado tanto a uma mosca quanto a um dragão. "É preciso encontrar uma solução para aquilo que incomoda, mesmo que para o adulto pareça absurdo. É uma forma de controle", explica o psicólogo.

Lidando com o temor

  • Nunca menospreze o medo de seu filho, por mais bobo ou ingênuo que pareça.


  • Não force a criança a enfrentar o que lhe causa pavor.


  • Crie espaço para diálogos, para que seu filho exponha os próprios problemas, mesmo que ainda não saiba expressar suas reais sensações.


  • Incentive-o a desenhar. Alguns rabiscos no papel podem revelar possíveis fobias.


  • Procure a ajuda de um especialista quando a criança apresentar sintomas como gagueira ou voltar a fazer xixi na cama. São sinais de extremo sofrimento e incapacidade de controle frente a situações de perigo.


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