Domingo, 30 de abril de 2017
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Domine seus impulsos

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Por Louis Frankenberg *


Ao contrário do que se pensa, não são apenas os pobres e a classe média que não sabem viver dentro dos seus orçamentos. Esta 'doença' aflige todas as classes sociais.

Passamos a sentir com maior intensidade o desequilíbrio orçamentário quando, com o advento do plano Real, nossos salários deixaram de ser aumentados mensalmente de acordo com os diversos índices que mediam a inflação. Acostumados que estávamos a "empurrar com a barriga", ou seja, adquirir algo para pagar no mês seguinte, já com o aumento salarial, ficamos viciados em puxar o cartão de crédito ou deixar na loja o cheque pré-datado.


O comerciante, que entendia mais de inflação que nós, já embutia um aumento no preço da mercadoria que largamente ultrapassava o índice da inflação. Ele ganhava tanto ou mais com os juros do que com o próprio produto que vendia. Os tempos são outros e nossos salários não aumentam mais mensalmente, nem semestralmente, nem anualmente.


O hábito que adquirimos dos tempos da grande inflação não nos abandonou ainda. Quando nos dizem que podemos pagar em quatro vezes pelo preço à vista, acreditamos piamente que estamos fazendo um negócio da China. É bastante provável que ao nos descontarem o segundo cheque pré-datado, já haja lucro para o comerciante.


Temos que nos convencer de que fazemos um péssimo negócio ao admitirmos pagar em quatro vezes. Porém, mais importante ainda é fazermos a nós mesmos a pergunta essencial: necessitamos de fato dessa mercadoria ou é apenas um capricho ou impulso do momento?


Os shopping centers, com suas maravilhosas lojas e reluzentes vitrinas são extremamente hábeis em convencer e entorpecer nossa racionalidade. Faça você mesmo a seguinte experiência: vá ao shopping com apenas dez ou quinze reais no bolso ou bolsa (suficientes para pagar o estacionamento, uma coca e, eventualmente, o valor da entrada para um cinema).


Deixe o talão de cheques e o cartão de crédito em casa. Você se sentirá tentado, diversas vezes, a entrar em alguma das lojas e talvez até provar uma roupa, mas como não tem cheque nem cartão, sairá cabisbaixo e frustrado (culpando até este redator), arrependido de não ter trazido esses maravilhosos instrumentos que transformam plástico em mercadoria.


Após uma noite de sono, caso o desejo de posse continue tão forte como no dia anterior, volte e compre. Você vai notar que muitas vezes a inabalável vontade já passou. Agora você estará orgulhoso de si mesmo. Sentir-se-á muito bem ao ter vencido o pecado do consumismo excessivo. Está no início de uma nova etapa em sua vida em que sabe perfeitamente controlar seus impulsos e determinar quais são as suas verdadeiras prioridades.


* Louis Frankenberg é formado em Ciências Contábeis e Atuariais pela PUC, de Porto Alegre, RS. Dirige sua própria empresa de assessoria e consultoria financeira, além de ministrar palestras abordando temas financeiros e comportamentais. Autor do livro Seu Futuro Financeiro, Você é o maior responsável, editora Campus.


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