Sábado, 21 de outubro de 2017
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Prazer e gravidez andam juntos

Por Luciana Meirelles *


Muitos casais têm dúvidas a respeito da atividade sexual durante a gestação e nem sempre se dispõem a falar abertamente sobre seus temores e fantasias. Aprenda, aqui, um pouco mais sobre esse assunto que ainda é tabu.

Em geral acontece tudo muito rápido. O resultado do teste de gravidez deu positivo e tudo começa a mudar: a futura mãe sente muito sono, com freqüência enjôos e perde um pouco da disposição para o sexo. O marido, por sua vez, é atingido pelo retraimento da esposa e se sente inseguro e preocupado com o mal estar que a situação provoca. Daí a sentir-se responsável é um passo.



No início da gestação, principalmente quando é a primeira, isso tudo somado pode distanciar o casal. O corpo muda, a barriga dela cresce (às vezes a dele também...) e mesmo que ambos desejem muito o futuro filho, não é fácil lidar com as alterações psico-físicas. É como se ambos tivessem que aprender novamente a fazer amor.

Aprendendo tudo de novo

Conviver com as "novidades" do outro gera surpresa. Ela pode ficar infantilizada e carente, chorando por qualquer motivo. Ele pode engordar e ter desejos por comidas diferentes buscando, dessa forma, ser notado também. E naturalmente torna-se difícil entrar naquele clima romântico de começo de namoro.


É assim mesmo que acontece, nem 100% apaixonados, nem 100% afastados. O ideal é buscar o meio termo entre o oito e o oitenta, conferindo no dia-a-dia da gestação qual a melhor hora, a melhor posição, o ritmo e a freqüência mais adequados à fase da gravidez. Para isso é necessário que o casal aprenda fazendo e negocie seus interesses e necessidades, aproveitando o que foi gostoso e descartando o que não funcionou.


A história de cada casal é como um cenário, um pano de fundo onde uma peça vai se desenrolar. E o sucesso vai depender dos atores principais (futuros pai, mãe e bebê) ensaiarem bem seus novos papéis. E saiba que o fato do bebê ser muito esperado e desejado nem sempre garante harmonia emocional e sexual.

Respeite os seus sentimentos

O que acontecerá se uma mulher sentir (ainda que irracionalmente) que não deve ter relações sexuais e mesmo assim ceder ao desejo - ou ao apelo do marido - e depois abortar? Será que um dia ela vai se perdoar?


A gestação mobiliza ansiedades específicas e a cada trimestre os processos fisiológicos provocam diferentes reações psicológicas em cada mulher. Por exemplo: na passagem do segundo para o terceiro mês ocorre a placentação e há, de fato, um certo perigo de aborto. A gestante percebe, inconscientemente, esse risco e muitas vezes tem fantasias ou sonhos relacionados com aborto nessa fase.



Se estiver informada a respeito sua ansiedade diminuirá. E você poderá até argumentar com o marido, baseada na realidade, sobre os riscos de transarem na época que corresponderia à menstruação. É muito importante estar despreocupada quanto às relações sexuais para poder desfrutar desses momentos com prazer. E o diálogo, nesse caso, é fundamental.



A partir do terceiro mês de gravidez, fazer amor pode trazer muita satisfação. A idéia de que o pênis possa atingir o bebê não tem fundamento, ele não é suficientemente longo para tocar o útero. Além disso, quando a mulher está sexualmente excitada, a vagina fica mais alongada.



O orgasmo da mulher pode desencadear contrações rítmicas do útero, que às vezes persistem depois que o casal terminou de fazer amor. Essa contração não traz qualquer risco. Mas se ela estiver prestes a dar à luz, podem seguir-se verdadeiras contrações do trabalho de parto.

Relaxe e desfrute

Quando uma mulher carrega sua gravidez como um milagre - ou um troféu! - ou como se estivesse atravessando o piso ensaboado de sua cozinha carregando um vaso precioso de cristal nas mãos, certamente ficará esgotada! Saiba que as relações sexuais descontraem e proporcionam uma importante base emocional para a maternidade. Cabe ao homem ajudar sua esposa a manter uma atitude mais descontraída e despreocupada. Então, relaxados, vocês poderão curtir um mútuo prazer.



Muitas mulheres acreditam que os cursos de preparação lhes ensinarão a ter um controle atlético/neuromuscular ideal na hora do parto. Se, de fato, a mulher estiver relaxada, quando a hora chegar, ela será capaz de experimentar uma sensação muito parecida com o completo alívio de tensão, calor e paz que sente depois de fazer amor. A expressão que um homem vê no rosto da mulher depois do orgasmo é semelhante à daquela que está em trabalho de parto: pele brilhante, faces coradas, cabelos úmidos e olhar vivo e emocionado.


* Luciana Meirelles é psicóloga com especialização em Psicoterapia Corporal e coordenadora de Grupos de Gestantes no Instituto de Medicina Fetal e Genética Humana.


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