Quinta-feira, 24 de agosto de 2017
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Prontos para o segundo filho

Por Beatriz Camargo *


Ter o primeiro bebê nem sempre é fácil, mais um então? Saiba como e quando pensar no segundo filho e qual é o 'melhor' intervalo entre os irmãos.

Um filho dá muito trabalho e, a cada nova criança que nasce, torna-se necessário reestruturar a vida social, as finanças, o trabalho, o espaço, seu estilo de vida. A vantagem do segundo filho sobre o primeiro é que você já teve uma experiência semelhante, não vai se assustar com tudo e, além de outros detalhes, pode aproveitar as roupinhas e sapatos do mais velho. Mas será que você dá conta de outro bebê?


A ciência, a psicologia e experiências pessoais de mães que passaram por essa situação devem ser levadas em conta. Conselhos são bem-vindos, mas a escolha final cabe somente aos pais. O que deve ser considerado é, principalmente, a condição de que você dispõe para ter mais uma criança. Segundo a terapeuta familiar Marilene Grandesso, de São Paulo, "essa estrutura não é apenas financeira. Também deve levar em conta a disponibilidade do casal para cuidar de mais um bebê. Sem dúvida, tudo ficará mais fácil se houver, além da mãe, um pai participativo, além de tempo livre dos dois, e, se necessário, a ajuda de familiares para cuidar dos pequenos, entre outras coisas".

Criando apenas um

A maioria dos casais tem mais de um filho, argumentando, principalmente, que a companhia e a amizade entre irmãos são importantes para eles e para a família. Entretanto, alguns pais optam pelo filho único, por terem enfrentado alguma situação muito difícil, ou mesmo traumática, quando do nascimento do primeiro filho, como, por exemplo, uma primeira gravidez de risco, problemas de saúde da mãe, ou então pela constatação da inviabilidade de manter mais de um.



Ter apenas um filhote pode ser mais simples, ao menos no aspecto financeiro. Se de um lado costuma-se dizer que filho único tende a ser excessivamente mimado pelos pais, acontece, muitas vezes, o contrário. Por viver num mundo de adultos, o filho único pode amadurecer mais cedo em comparação a outras crianças. Além disso, ele fica muito sozinho e perde um pouco a vivência da igualdade e da divisão que os irmãos experimentam. "O problema é que ele acaba ficando muito focado pelos pais, não conseguindo privacidade para construir sua própria experiência. É saudável que a criança possa, eventualmente, passar despercebida. Pequenos acontecimentos corriqueiros podem ser exageradamente ampliados por pais que só têm um filho, por falta de referências", diz Marilene. Entretanto, a psicóloga lembra que "a idéia de que essa criança é problemática e mimada por sempre possuir o que deseja é um estereótipo. Não há regras para uma família feliz, depende muito de como os pais agem diante das mais diversas situações".


A advogada Laura Machado, de São Paulo, optou por ter dois filhos por achar muito difícil criar um só. "Você acaba projetando demais seus próprios desejos e frustrações na criança quando é uma só, precisa se policiar o tempo todo. Eu e meu marido achamos que seria mais fácil educar dois filhos", diz Laura.


Colocar o bebê na escolinha assim que possível se mostra uma saída para contornar o problema da companhia. Lá ele entra em contato com outras crianças, faz amigos e passa a ter que dividir brinquedos e vontades. A idéia é fazer com que seu pequeno esteja sempre em contato com outras crianças, como vizinhos, primos, amigos.

A hora certa para mais um

Às vezes a dúvida do casal não recai sobre o número de filhos, mas quando tê-los. Embora ainda não seja cientificamente provado, a espera de dois a três anos para que a mamãe tenha o próximo bebê é aconselhada por muitos médicos. Eles dizem que a mãe precisa de um tempo para se recuperar psicologicamente do estresse da gravidez e fisicamente da perda de nutrientes na primeira gestação.


Um estudo recente, publicado no "New England Journal of Medicine" , uma revista médica inglesa, revela que bebês concebidos com menos de seis meses de diferença da primeira criança têm 40% de chance de nascerem prematuros ou abaixo do peso. De outro lado, irmãos concebidos com um intervalo superior a dez anos em relação ao anterior, têm 80% de chances de nascerem prematuros.


Além das razões de saúde, torna-se necessário, nessa decisão, considerar argumentos práticos e psicológicos. Algumas famílias optam por ter as crianças de uma vez, em "escadinha", pensando ser mais fácil criá-las desse modo. É o caso de Marina Pinheiro, professora em São Paulo: "resolvi ter os filhos com pouca distância por uma questão de praticidade: aproveitar as coisas do primeiro bebê e acabar logo com a fase das fraldas".
No aspecto psicológico, a proximidade entre os irmãos também traz vantagens: faz com que convivam muito, tornando-se mais amigos. Eles estarão sempre em momentos de vida parecidos, por isso poderão se ajudar mutuamente.


No entanto, se os irmãos nascem próximos demais, os pais podem ficar sobrecarregados, já que bebês precisam de atenção constante. Talvez você acabe não tendo o tempo que cada filho demanda, mesmo quando eles crescerem um pouco e saírem da primeira infância.


Outros pais acham conveniente aumentar a distância entre as crianças, acreditando que a mais velha entenderá melhor a vinda do irmãozinho, podendo inclusive ajudar. A compreensão do maior é muito importante para o novo bebê; se o primeiro for agressivo e ciumento, o segundo terá grandes chances de imitar esse comportamento quando crescer um pouco. Isso pode se dar de forma até inconsciente, afinal ele também precisa conquistar seu próprio espaço. Além disso, filhos com idades bem diferentes possibilitam que você se dedique de maneiras diferentes a todos eles, respeitando o momento de cada um.


O que se perde, quando a distância entre as crianças fica muito grande, é o companheirismo entre os irmãos. "A diferença de etapa de desenvolvimento coloca cada criança num contexto evolutivo distinto, tendo demandas específicas com seu momento. Embora experimentem a vivência da irmandade, podendo desfrutar da companhia um ao outro, uma diferença de idade muito grande define necessidades e interesses muito diferentes. Se as idades forem muito espaçadas, é como se configurasse um contexto de dois filhos únicos, às vezes até tornando-os mais distantes. Contudo, a distância decorrente de etapas de vida distintas não quer dizer ausência de afeto ou inexistência de vínculos fraternos", finaliza Marilene Grandesso.


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