Sexta-feira, 20 de outubro de 2017
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Meu filho levou uma mordida do amiguinho!

Por Lindiane Moretti e Renata de Oliveira *


Seu pequeno já deu - ou levou - uma bela mordida no coleguinha da escola? Descubra por que muitas crianças adoram morder.

Imagine chegar em casa e ver a bochecha do seu filho roxa, com uma bela marca de dentes! Ou então ir buscar o seu pequeno na escola e descobrir que ele mordeu uma outra criança. Essas situações já fizeram ou fazem parte da vida de muitos pais, que ficam incomodados e perdidos na hora de resolver o caso ou colocar limites nas atitudes dos pestinhas.


Uma boa maneira de lidar com a questão é entendê-la melhor. Seu filho não morde por falta de educação, por excesso de agressividade ou, muito menos, por ser uma pessoa má. Em contrapartida, se ele foi agredido e não se defendeu, também não significa que ele seja bobo ou que adora provocar os outros.


Só para lembrar, estamos tratando de crianças menores - por volta dos quatro anos de idade - uma fase em que morder tem uma determinada conotação. Se seu filho já for grande, a história é outra!

Experimentando o mundo... Com a boca!

A criança se desenvolve principalmente pela inter-relação com as outras pessoas. Uma de suas principais fontes de aprendizagem é o exemplo e, desta forma, quando começam a conviver em grupo influenciam-se mutuamente. Então, você pode se perguntar: e as crianças que nunca viram ou receberam uma mordidinha? Fazem isso por ruindade?


De jeito nenhum! Os pequenos não têm intencionalidade, isto é, não planejam o que estão fazendo e geralmente vivem uma fase em que passam tudo o que podem das mãos para a boca, experimentando o mundo por meio dos vários sentidos. E essa descoberta inclui, também, o "morder".



O ato torna-se mais presente - e indesejado - quando eles começam a participar de um grupo e se deparam com outros significados desta atitude, além da exploração do ambiente. A mordida recebe uma carga negativa que, de acordo com o encaminhamento, pode se transferir para a criança, que corre o risco de ser malvista. Ela precisa, sim, saber que não pode machucar o outro, no entanto depende da intervenção dos adultos para aprender essa "lição".

Agindo por impulso

É preciso ressaltar que os menores ainda não conseguem dominar suas emoções e, por isso, reagem impulsivamente a algo que os incomoda. Eles agridem ou tratam bem com a mesma naturalidade.


Nossa experiência tem mostrado que existem situações desencadeadoras da mordida, ou ainda do empurrão ou do tapa: acontece quando a criança percebe que outra quer pegar o seu brinquedo, sentar-se em sua cadeira, abraçar a professora, pegar o seu lugar na roda, escorregar primeiro, comer o seu chocolate e por aí vai... Enfim, ela reage de acordo com impulsos e emoções imediatas.


Mas, então, como agir? Se você não souber o porquê da agressão, deve apenas impedi-la; se não houver tempo e a mordida acontecer, diga com ações e poucas palavras que "morder não pode". Se descobrir o motivo, mostre outras formas de solucionar o problema. Por exemplo, se a criança mordeu para ter seu brinquedo de volta, estenda a mão e ensine-a a pedir pelo objeto. Da mesma forma, se ela mordeu porque deseja o brinquedo do amiguinho, ajude-a a pedir emprestado, mostrando que, mesmo se o colega não ceder na hora, logo mais ele emprestará, pois também gosta de brincar.


Com o passar do tempo, ao observar os outros a expressarem o que sentem e o que desejam com palavras, a criança criará recursos comunicativos que substituirão sua impulsividade, indicando uma ampliação de seu universo.



* Lindiane Moretti e Renata de Oliveira Lindiane Moretti é professora de Educação Infantil. Renata de Oliveira é orientadora educacional da Play Pen / Escola Cidade Jardim, em São Paulo.


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