Terça, 26 de setembro de 2017
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Amamentação, o melhor para mães e bebês

Por Flavia Schwartzman *


Na hora de escolher entre o aleitamento materno e as fórmulas infantis, opte pela primeira. A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os primeiros 6 meses de vida.

Após este período, o leite materno deve ser complementado pela introdução adequada de outros alimentos, devendo prosseguir até, pelo menos, o primeiro ano de idade e, se possível, até o segundo ou mais, se a mãe e a criança desejarem.


Se a mãe não puder amamentar durante os primeiros 6 meses, ou se precisar complementar o seu leite com fórmula infantil (também chamada de leite infantil modificado ou "substituto" do Leite Materno), tudo bem. Amamentar um pouco, mesmo que seja somente por algumas semanas, já traz benefícios tanto para você, como para seu filho.

Benefícios para a criança

O leite materno é completo do ponto de vista nutricional: ele contém todos os nutrientes (proteínas, carboidratos, gordura, vitaminas, minerais, água) que a criança necessita até os primeiros 4 a 6 meses de idade, nas quantidades exatas. Por isso, a criança que estiver recebendo apenas o leite materno não necessita de suplementação de água, açúcar, chá, fórmulas infantis ou outra coisa. Na verdade, isso é até prejudicial, pois pode interferir no apetite da criança, o que fará com que ela acabe tomando menos leite. E quanto mais o bebê amamentar, mais a mãe produzirá leite.


O leite materno contém elementos que ajudam o bebê a crescer e se desenvolver: vários hormônios e outras substâncias presentes no leite materno - e que não são encontradas nas fórmulas - são importantes para a maturação intestinal e desenvolvimento cerebral da criança.


O leite materno contém elementos que protegem os bebês de várias doenças: crianças amamentadas no seio têm menos chances de sofrer pneumonia, botulismo infantil, bronquite, infecções do ouvido, doenças respiratórias, meningite, infecções do trato urinário e diarréia. Além disso, o leite da mãe contém anticorpos que ela produziu ao entrar em contato com uma série de doenças, e que serão transmitidos ao bebê para protegê-lo. E quando o bebê adoecer, geralmente a doença será menos severa e mais curta. O colostro, leite mais espesso e de cor amarelada que a mãe produz durante os primeiros dias após o parto, é muito rico em proteínas, minerais e anticorpos. Ele também contém menos gordura que o leite maduro, o que o torna extremamente fácil de ser digerido pelo recém-nascido. Além disso, tem ação laxativa, que ajudará na eliminação do mecônio. Por todos estes motivos, o colostro é o alimento perfeito para os primeiros dias do bebê.


O leite materno é estéril e sempre fresco: o leite que sai direto do peito da mãe é sempre estéril e não corre o perigo de estar contaminado por água ou mamadeira sujas.


A amamentação reduz a chance do aparecimento da chamada cárie de mamadeira: este tipo de cárie se refere às cáries localizadas nos dentes de leite da frente da criança pequena, que ocorrem quando a criança adormece com a mamadeira cheia de outro líquido que não seja a água.


Proteção contra alergia: durante o período de amamentação, muitas crianças estão protegidas dos sintomas da alergia alimentar, pois a introdução de alimentos e o contato com compostos alergênicos presentes nos alimentos se dará mais tarde. Nenhuma criança amamentada ao seio é alérgica ao leite da própria mãe. Pode acontecer de ocorrer alguma reação a algo que a mãe comeu e, neste caso, a retirada de tal alimento de sua dieta provavelmente resolverá o problema.


O leite materno é extremamente importante para o bebê prematuro: ao contrário do leite artificial, o leite da mãe ajuda no desenvolvimento e maturação do trato digestivo do bebê, essenciais para que ele possa se alimentar adequadamente e permanecer por menos tempo no hospital. O prematuro tem mais chances de desenvolver infecções e o leite materno parece reduzir, em muito, estas chances.


A amamentação estimula o desenvolvimento oro-motor da criança: é mais difícil para o bebê sugar o peito do que a mamadeira, e esse exercício fortalece a musculatura da face e mandíbula do bebê, favorecendo o desenvolvimento adequado da mandíbula, dentes e da fala, mais tarde.


A amamentação tem efeito benéfico na introdução de alimentos e hábito alimentar da criança, que persiste mesmo após o período de amamentação: estudos indicam que crianças amamentadas no seio têm contato com o gosto de outros alimentos por intermédio da dieta da mãe, o que não ocorre com as crianças que recebem fórmulas infantis. Isto facilitará a introdução dos alimentos sólidos, mais tarde, pois a criança já estará mais familiarizada aos seus sabores.


Efeito psicológico positivo: amamentar favorece o desenvolvimento do vínculo entre mãe e filho, sendo fonte de prazer para ambos.


Crianças amamentadas no seio têm menos chances de apresentar sobrepeso: estudos demonstram que as crianças que mamam no seio, sob demanda, tendem a consumir a quantidade certa de leite para crescerem e se manterem saudáveis. Os bebês que recebem fórmulas infantis, aqueles que recebem alimentos sólidos precocemente ou os que não são amamentados sob demanda (têm menos controle sobre a própria ingestão), têm maiores chances de apresentar sobrepeso mais tarde, pois apresentam maior dificuldade em reconhecer e respeitar as próprias sensações de fome e saciedade.


Crianças que nasceram com problemas como síndrome de Down, lábio leporino ou palato fendido, problemas cardíacos, fibrose cística ou problemas neurológicos também irão se beneficiar, e muito, do leite materno: os benefícios nutricionais e imunológicos deste leite irão manter seu bebê o mais saudável possível, fazendo-o ganhar peso e se fortalecer para qualquer cirurgia ou tratamento que possa necessitar. Além disso, o forte vínculo criado e os hormônios liberados pela mãe irão acalmá-la e aproximá-los ainda mais. Por ser facilmente digerível, o leite materno é ótimo para os bebês que apresentam problemas cardíacos e fibrose cística, os quais podem ter dificuldade para ganhar peso. Ele também é menos irritante para a área nasal de crianças com palato fendido do que as fórmulas infantis. Por meio dele, crianças com síndrome de Down estarão mais protegidas de infecções respiratórias e problemas digestivos, bastante comuns. Entretanto, amamentar crianças com estes problemas não é uma tarefa muito fácil: exigirá preparo e um pouco de paciência. Se você decidir amamentar, converse com a equipe médica e peça orientação.

Benefícios para a mãe

A amamentação promove a recuperação mais rápida da mãe, após o parto: quando a criança suga o peito, há a liberação do hormônio que estimula a contração do útero, fazendo com que ele volte ao seu tamanho normal e minimizando a perda sanguínea.


Mães que amamentam retornam ao seu peso pré-gestacional mais rapidamente que mães que não amamentam: como a produção de leite consome bastante energia, a mãe que amamenta queima mais calorias.


A amamentação reduz o risco da mãe desenvolver câncer de mama e de ovário: o risco parece ser menor nas mães que amamentam por um período prolongado.


Praticidade e economia: ao amamentar, a mãe não precisa esterilizar mamadeiras, nem gastar tempo e dinheiro comprando e preparando fórmulas.


A amamentação permite que a mãe descanse mais: ao amamentar, a mãe é "obrigada" a descansar, uma vez que tem que se sentar e relaxar cada vez que amamenta. Ela também pode amamentar enquanto estiver deitada. Além disso, não precisa sair correndo para esquentar a mamadeira quando a criança começa a chorar.

Prazer, descanso e saúde

Não há dúvidas de que o leite materno é superior às fórmulas. Entretanto, é natural a mãe ter dúvidas e se perguntar qual é a melhor escolha para ela e sua família. Mesmo porque amamentar não é fácil. Requer tempo, preparo e paciência. Para se preparar para mais essa missão, converse com seu médico e tire todas as dúvidas. Se optar pela amamentação, peça orientação e procure um profissional especialista em aleitamento materno. Com certeza a amamentação será mais fácil e tranqüila se você se organizar antecipadamente.


Fatores emocionais também são fundamentais para o sucesso da amamentação. Muitas vezes o estresse, a ansiedade e o cansaço da mãe podem prejudicar a saída do leite. Por isso, tente se manter tranqüila e descansada. Se surgir algum problema, como fissuras e rachaduras nos mamilos, mama ingurgitada ou se achar que seu filho não está mamando suficientemente, entre em contato com o pediatra ou o especialista em aleitamento materno.


A grande maioria das mulheres é capaz de amamentar. Raras são as vezes em que a mãe não é capaz de produzir leite. Na maioria delas, os problemas que aparecem podem ser facilmente resolvidos. Somente em algumas circunstâncias a amamentação é contra-indicada (leia "Cuidados durante a amamentação", uma das matérias relacionadas). E lembre-se de que a melhor coisa para que a lactação continue de maneira adequada, é o bebê continuar mamando.


Se você optar ou não puder amamentar, ofereça a seu filho fórmulas infantis. Quando ministradas de maneira adequada, também nutrirão seu filho, permitindo que ele se desenvolva e cresça como as demais crianças de sua idade.


* Flavia Schwartzman é nutricionista, formada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, com especialização em Nutrição Materno-Infantil, Mestre em Nutrição pela Escola Paulista de Medicina.


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