Quinta-feira, 21 de setembro de 2017
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Quando chega a primeira série...

Por Norma Leite Brandão *


Agora é para valer! Parece um momento mágico. Mas, justamente por isso, é necessário que os pais tenham alguns cuidados para que, no ensino fundamental, essa caminhada continue com bases consistentes.

Como é mesmo que pais e mães costumam falar aos pequenos no início de sua primeira série? "Agora a farra acabou! A coisa, daqui para frente, é séria..."

Entre orgulhosos e preocupados com o que está por vir, procuram passar responsabilidade àquela criança que acaba de deixar a escola de educação infantil... A ansiedade mescla-se ao desejo de que tudo corra bem, desde o início e, por isso, alguns pequenos discursos são feitos na tentativa de se evitarem percalços ou fracassos.

Quem disse que a farra acabou?

Ah, mas aquele delicioso espírito que havia em seu filho, na pré-escola, ainda permanece porque faz parte de seu próprio desenvolvimento. As atividades lúdicas, corporais e artísticas continuam sendo fundamentais para que o equilíbrio seja mantido. Aquela era uma doce e séria farra que necessariamente não deveria ter seu término nesse início de novo ciclo.


Ele é novo não porque elimine o que havia de bom, mas porque traz consigo outras frentes que, somadas às anteriores, possibilitam crescimento. Por isso as crianças devem e precisam levar para o ensino fundamental algumas práticas tão saudáveis desenvolvidas anteriormente: lidar com a fantasia, com a expressividade artística, com os jogos socializadores. Mas, sobretudo, precisam de algo sem o qual o dia-a-dia pode ficar mais complicado: auto-confiança.

Desenhos, rabiscos, letras

Seu filho, com certeza, já foi iniciado na leitura e na escrita. Mas é comum que os pais esperem, nesse ano de primeira série, que muitas questões sejam finalmente resolvidas: o uso da letra manuscrita, a correção da ortografia, da pontuação... Afinal, pensam, aquele período experimental acabou. Onde estão os exercícios sistemáticos? Bem, aqui vale uma pausa.


O ensino da leitura e da escrita foi muito alterado nos últimos quinze anos. Cada escola tem seu ritmo nessa profunda mudança conceitual e metodológica, mas o fato é que os pais percebem que há transformações. Elas não aconteceram por acaso. São fruto de intensas e sérias pesquisas de pessoas que resolveram investigar como as crianças pensam a linguagem oral e sua manifestação escrita. De que forma aprendem. Por esse motivo, hoje encontramos a alfabetização iniciada com letras tipo bastão ou mesmo de fôrma.



Por essa razão, também, há um aprendizado que propicia à criança primeiramente a soltura em seus escritos. Busca-se propor atividades em que ela produza, ainda que de forma não convencional, seus registros no papel. Surgem então os diferentes níveis de escrita, com as esperadas omissões e inversões de letras, algumas trocas, a dificuldade em alguns traçados... tudo ainda normal e dentro do previsto. A palavra de ordem parece ser: deixe-o ousar, realizar suas experiências com confiança.

Encoraje mais, corrija menos

Nesse momento da vida escolar é fundamental que você ajude seu filho a acreditar em si próprio. Através de pequenos, mas expressivos atos. Ele sabe que há muito a fazer, que seu produto final está longe dos padrões do adulto. Por isso mesmo, tente mostrar-lhe que cada pequena conquista representa muito.


Essa não é uma tarefa fácil para os pais, normalmente com altas expectativas. Alguns, em determinados momentos, chegam a comparar os resultados de escrita com os de outras crianças, de outras escolas. Pois aqui vale repetir: cada um tem seu próprio ritmo. A diversidade faz parte porque as crianças, graças a Deus, não são seres iguais. Viveram experiências distintas e aprendem também de forma diferente. É o que torna tudo mais rico e interessante.


Ao encontrar registros escritos aquém dos padrões esperados por você, contenha sua ansiedade. Procure olhar seu filho, sem rótulos. Tente enxergar no pouco que produziu o que há de bom. Porque, tenha a certeza, sempre há o que elogiar numa produção infantil. E é disso que ele necessita nesse momento: acreditar que você acredita nele.


* Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


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