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Chegando em casa

Por Dr. Leonardo Posternak * em 24/11/2000


A volta para casa é bem diferente da tranqüilidade dos dias passados na maternidade.

Durante a internação - de dois a três dias no parto normal e de três a quatro dias para quem fez cesariana - a mãe é assistida 24 horas por médicos e enfermeiras que mantêm tudo sob controle. Se a criança fica no berçário, tudo corre por conta das rotinas do hospital. Se ela fica junto com a mãe no quarto (alojamento conjunto), basta apertar uma campainha e pedir socorro à enfermeira mais próxima. As visitas se multiplicam, a mãe é tão mimada quanto o novo bebê e ela só recebe elogios e presentes. Segura e confortável, está muito distante da nova rotina que a espera na volta para casa.

Chegamos!

Em geral, a volta para casa não é um momento tranqüilo para o casal. Se por um lado eles estão felizes porque tudo correu bem, por outro sentem saudade das mordomias e das facilidades da maternidade. Nem todos os casais têm coragem de assumir esses pensamentos, mas a maioria se sente exatamente assim ao chegar em casa. Esse sentimento é mais do que natural. Afinal, ele representa a ruptura com as rotinas e todo o apoio dado pelo hospital,

Abaixo a ansiedade!

É mais do que natural que o casal se sinta ansioso com a chegada do novo bebê. Um serzinho tão lindo e esperado, mas tão desconhecido. Além disso, fora da maternidade tudo passa a depender exclusivamente da família: as tentativas de interpretar os primeiros sinais emitidos pelo filho, a falta de sono do bebê, a vigília dos pais. Ou seja, toda a responsabilidade pela vida e pela saúde do frágil e dependente bebê está nas mãos dos pais.


Para encarar os primeiros dias em casa com menos angústia, preste atenção a algumas alterações de comportamento que o recém-nascido pode apresentar, que nada mais são do que uma reação natural das mudanças bruscas que está vivendo:


  • Tranqüilo demais: o bebê mantém o ritmo da maternidade: mama em intervalos de três a quatro horas e dorme tranqüilo entre as mamadas.
  • Dorminhoco: esgotado pelo cansaço provocado por tantas mudanças em sua rotina e pela primeira viagem de carro, o bebê dorme ininterruptamente por muitas horas (mais até do que as sugeridas pelo médico ou esperadas pela mãe). Isso é bastante normal. Significa apenas que o recém-nascido está se adaptando a essa nova etapa de sua vidinha. Controle sua aflição e deixe o bebê dormir o quanto precisar. Ele está se preparando para iniciar as novas rotinas em seu ambiente definitivo, com ritmos próprios.
  • Agitado: bebê chora muito e não consegue pegar no sono. Está tenso porque perdeu a rotina segura e quentinha do berçário, mudou de local, ouve sons diferentes. Enfim, não consegue se achar nesse novo ambiente. Crianças mais sensíveis acabam ficando excitadas com tudo isso e podem querer mamar a toda hora. Se seu bebê reagir assim, tenha paciência e redobre o aconchego: deixe-o ficar em sua cama o tempo que precisar e fique junto dele mais do que o tempo necessário para amamentá-lo. O contato com a mãe, com seu leite, o calor do colo e a voz e o cheiro conhecidos acalmarão o bebê.


    Se você continuar ansiosa ou amedrontada com o comportamento diferente de seu filho no primeiro dia em casa, não hesite em procurar o pediatra. Com certeza, ele poderá orientá-la e acalmá-la.

    Mamãe nervosa

    De repente, você se sente nervosa e angustiada - sentimentos que podem parecer contraditórios para alguém que tem tanto a fazer e tanto a aprender. Mas não se preocupe, esses sentimentos, e alguns outros como vontade de chorar e tristeza, são mais do que normais e atingem a maioria das mães desde as últimas semanas da gestação até o fim do primeiro mês da vida do bebê. Na verdade, esse excesso de sensibilidade é mais do que justificado porque:


  • Esse quadro geralmente reflete o medo de enfrentar uma situação desconhecida, de muita responsabilidade e por isso mesmo muito angustiante.
  • Muitas vezes, é o jeito encontrado pela mulher para recarregar as baterias e sentir-se mais segura em seu novo papel. É como se ela regredisse em certos aspectos de sua personalidade, tornando-se sensível, insegura e dependente, para logo reequilibrar-se e exercer sua nova função da melhor maneira possível.
  • A tristeza e a insegurança são sentimentos normais e transitórios e as mães devem ter a tranqüilidade de poder contar com a compreensão e o apoio do parceiro nesse período. Mas, se essas sensações perdurarem, procure seu médico.

    Cada um no seu lugar

    Logo nos primeiros dias em casa, o mais indicado é que o bebê fique no quarto dos pais, ao lado da mãe, que se sentirá mais segura e confortável, principalmente à noite. Dessa maneira, o bebê se sentirá mais tranqüilo e a mãe, menos cansada, já que ela se movimentará menos e ainda sente os incômodos do pós-parto.


    Toda vez que esse assunto é abordado, logo vem uma pergunta à cabeça: até quando o bebê deve ficar no quarto dos pais? Cada família tem uma resposta diferente para essa pergunta. Ela está ligada aos limites dos pais em relação a sua intimidade e também à maior tranqüilidade de cada um para afastar-se do filho. Mas tudo tem limites: se até o quarto mês ele continuar no quarto dos pais, sua saída deve ser estimulada. A partir do sexto, ela é obrigatória.


    Caso o bebê não tenha um quarto próprio, apele para soluções alternativas, como deixar o berço na sala. Caso exista apenas um cômodo na casa, crie um novo ambiente para ele fazendo uma divisória com móveis ou uma cortina que demarque o lugar dos pais e do bebê.



    A criança e seus ritmos


    Está mais do que comprovado que até os dois meses o ritmo biológico da criança é muito diferente do dos adultos. Isso acontece porque ela não reconhece a divisão das 24 horas em dia (atividade) e noite (sono), que também é conhecida como ritmo circadiano ou relógio biológico. Seu funcionamento não depende apenas das experiências relacionadas com a escuridão e com a claridade que podem ser realizadas pelas crianças. O ritmo nasce em conseqüência do funcionamento interno de cada um. A temperatura do corpo e a liberação de hormônios, por exemplo, são fatores relacionados com as atividades diurnas ou com o descanso noturno.



    "Queremos dormir!"


    Esta é uma queixa comum. A maioria dos pais dorme menos do que deve (e do que os filhos deixam) nos primeiros dois meses de vida. O fato está relacionado com o próprio ritmo da criança, que acorda quando está com fome e dorme quando está saciada. Dependendo do bebê, os períodos de sono entre as mamadas variam de duas a cinco horas. Isso explica por que poucos casais conseguem descansar e dormir bem à noite. Mas nada é motivo para desespero: dois meses voam e todas as aflições ficarão mais leves se o casal conseguir dividir algumas funções e tarefas.


    * Dr. Leonardo Posternak é médico pediatra,
    membro do Departamento de Pediatria do Hospital Israelita Albert Einstein.
    Co-autor do livro
    E Agora, o que Fazer? A Difícil Arte de Criar os Filhos
    , Editora Best Seller.
    Autor de
    O Direito a Verdade - Cartas Para Uma Criança
    , Editora Globo.


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