Quarta-feira, 26 de abril de 2017
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Afinal, para que serve a mesada?

Por Norma Leite Brandão *


Os filhos pedem, e como pedem! Querem brinquedos, roupas de griffe, jogos de videogame, guloseimas... Como fazer da mesada uma aliada?

Nunca, em tempo algum, os pais se viram, tão intensamente, às voltas com apelos tão consumistas por parte dos filhos. Sabemos que isso não ocorre gratuitamente. A mídia, com sua sedutora e exaustiva propaganda está aí para fazer com que crianças e jovens fiquem cegos e, por tabela, os pais percam a referência ao comprar brinquedos, material escolar, roupas e acessórios de uso pessoal. A griffe impera.


Pai e mãe, por outro lado, na sua luta diária pela sobrevivência, vêem-se fisicamente afastados dos filhos. Resultado disso tudo? O sentimento de culpa que faz com que pensem, muitas vezes: ora, trabalho tanto, estou tão ausente de casa, por que não posso ceder a esse apelo se posso comprar o que meu filho me pede?

Gerenciar o dinheiro

Sim, trabalhamos muito e se o fazemos, queremos dar o melhor à nossa família. Nada mais justo. Mas não podemos nos esquecer de que somos pais. E, como tal, a consciência e o dever nos recomendam que, na formação de nossos filhos, levemos em conta que educar é prepará-los para o futuro. O que isso tudo tem a ver com mesada? Isso significa que um dos caminhos para lidar com o desperdício e com a ânsia pelo consumo pode ser a mesada. Ela, se for usada como um instrumento de aprendizado para gerenciar o dinheiro, poderá ser muito eficaz. Nesse sentido, alguns cuidados deveriam ser tomados pelos pais na adoção da mesada:

  • Valor adequado à faixa etária: com isso, espera-se que os pais tenham discernimento e realismo ao estipular o montante a ser gasto durante o mês. Dinheiro em demasia é fatal!

  • Explicar aos filhos que mesada é como salário. O limite de gasto restringe-se à quantia estipulada.

  • Orientar as crianças no sentido de fazê-las compreender o tempo de duração da mesada e a importância de dividir o valor total nas quatro semanas do mês.

  • No caso de gastos maiores no começo do mês, conscientizar a criança do que terá que abrir mão nas semanas seguintes.

  • Ter em mente que crianças pequenas orientam-se melhor se a mesada for distribuída semanalmente.

  • A cada desejo de consumo infantil, refletir com as crianças sobre a real necessidade e qualidade do produto a ser adquirido: relação custo-benefício.

  • Combinar todas as regras antecipadamente com os filhos. Lembre-se: o combinado nunca é caro.

  • Ser firme e coerente na aplicação das regras. Não se esqueça, quando os pais esmorecem, as crianças percebem que a coisa não é para valer e se perdem nos gastos, inutilizando a função da mesada.

    O modelo familiar

    Falar em mesada é falar de exemplo. Por esse motivo, no momento de instituir a mesada os pais poderiam mostrar a seus filhos as contas da casa. Quanto ganham e quais os gastos ocorridos no mês. Diante da receita e da despesa, mostrar-lhes a importância de uma reserva. No caso das crianças e adolescentes, a reserva da mesada poderia ser constituída para um gasto excepcional. Quando um filho insiste muito na compra de alguma roupa de griffe ou de algum jogo mais caro de videogame, por exemplo, precisa sentir na pele o quanto isso significará de renúncia ou de poupança. Faça com que o bolso de seu filho doa, se ele insistir em inutilidades demasiadas ou em produtos muito caros com freqüência.


    Alguns pais resistem a ser severos em relação aos gastos dos filhos, ponderando que não há dificuldades financeiras e que podem arcar com os custos. Mas a questão não é bem essa. Os filhos, independentemente da situação familiar, precisam ser orientados para os momentos difíceis que possam enfrentar futuramente. Por esse motivo, conscientizá-los a respeito do mundo em que vivem e ensinar-lhes austeridade e equilíbrio nas finanças trará benefícios não somente à família, mas ao desenvolvimento de sua cidadania.


    * Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


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