Sábado, 29 de abril de 2017
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Filho único, herdeiro de tudo!

Por Lucy Casolari *


As estatísticas mostram que, nos últimos anos, têm aumentado as famílias com apenas um filho. Essa tendência é fruto de diversas causas, a começar pela opção do casal. Famílias com mais de dois filhos estão cada vez mais raras e as numerosas, então, prati

O único herdeiro é o depositário de todos os sonhos, fantasias e expectativas dos pais. É aquele que "tem que dar certo, pois só temos este". Para isso valem todos os sacrifícios, esforços e investimentos, mas ao mesmo tempo, ainda que de forma inconsciente, o nível da cobrança é alto. E, se não há com quem dividir, concentram-se nesse pequeno ser todas as expectativas.


Claro, se os pais procuram fazer o máximo, sem querer ou até perceber, esperam pelo sucesso total da criança, nas competições esportivas, no rendimento escolar e nas relações sociais com os amigos e adultos. Às vezes, esquecem de considerar seu temperamento, características, habilidades e limitações pessoais.

Fã-clube exigente e concentrado

São comuns relatos de pais que se referem a seus rebentos como crianças-prodígio, demonstrando grande admiração pela sua inteligência e perspicácia. De fato, acostumadas a viver num mundo adulto, elas já identificaram os códigos desse universo, respondendo de forma aparentemente mais amadurecida, em termos de conhecimentos.


Tornam-se capazes de elaborar pensamentos e observações que deixam os pais embasbacados. Supervalorizadas por esse lado intelectual, essas crianças destacam-se, cada vez mais, sem a correspondente maturidade emocional. Estabelece-se, então, um círculo vicioso, pois ela se desenvolve como um mini-adulto, faz o maior sucesso e, ao ser reforçada, vai num crescendo...


Nesse ritmo, as expectativas dos pais ficam sempre mais altas e o filho se esforça para corresponder. Essa corrida tem um grande custo emocional para o pequeno e às vezes, conseqüências sérias para o seu desenvolvimento. Os pais precisam estar atentos e não exagerar. Procurem perceber e enxergar esse filho como ele realmente é - com qualidades, sim, mas também com limitações, portanto incapaz de satisfazer a todas as suas aspirações.

Excesso de atenção: cuidado!

Se há apenas uma criança na casa, é somente ela a ser atendida, portanto não precisa esperar sua vez ou disputar a atenção dos pais com irmãos. Em alguns momentos, o filho nem chega a expressar sua vontade e é prontamente atendido naquilo que a mãe intui sobre a sua necessidade. O maior cuidado é no sentido de não mimar demais, caso contrário torna-se um reizinho, um pequeno tirano mesmo.



Se os pais não souberem dizer não, acabarão criando seres todo-poderosos, capazes de escravizar os adultos de acordo com suas vontades. Essa afirmação, que vale para todas as famílias, no caso do filho único tem que ser ainda mais considerada. É comum ser tratado como alguém que tudo pode - fazer e ter o que deseja - sempre e imediatamente, desde o simples pedido de atenção até o doce, revista ou brinquedo.

Limites dão segurança

Limites claros e definidos são absolutamente necessários para o desenvolvimento infantil. No caso do filho único esta firmeza tem que ser ainda mais observada, caso contrário ele se torna dominador e pouco preparado para a convivência social. Como ninguém é uma ilha... convém refletir bastante sobre isso para estabelecer os limites e colocá-los em prática com bom senso e equilíbrio.


Procure pensar no que você deseja para sua criança e acredite em sua intuição. É importante, também, identificar os sentimentos de culpa que surgem por não permitir alguma atitude ou deixar de satisfazer um desejo. Lembre-se de que aprender a superar frustrações é fundamental para o crescimento, portanto não se culpe e tranqüilize-se. Seu filho é capaz de suportar um não!

Socializar é preciso!

Além dos cuidados em relação aos excessos - de expectativas e atenção - e da dificuldade de estabelecer limites, fique atento para propiciar situações de socialização; quanto antes, melhor. A convivência com crianças em reais condições de igualdade vai dar a seu filho a possibilidade de perceber suas reações frente às próprias ações.


Assim, ele, único em casa, poderá construir seu espaço e ir, aos poucos, dimensionando o dos outros. Seja na creche, na escola ou no clube, aprenderá a esperar por sua vez e a disputar saudavelmente os brinquedos, as atenções e o afeto dos adultos que cuidam de um grupo.


Trazer para sua casa amigos ou primos pode ser, também, uma alternativa de socialização, principalmente porque a criança vai aprender a partilhar seu mundo com outras, incluindo-se aí, o quarto, seus jogos e brinquedos preferidos. Nessas situações os pais devem estar atentos para não ficarem exclusivamente na defesa do próprio filho.


Olhar as questões que surgirem a partir de diferentes pontos de vista - por exemplo, o do amiguinho - pode ser de grande ajuda para perceber melhor e resolver os inevitáveis conflitos... Calma, muita calma nesse momento! Lembre-se de que você também está partilhando: seu filho e sua casa com os seus visitantes.


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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