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Um parto mais humano

Por Luciana Meirelles * em 02/12/2000


Parto normal ou cesárea? Muitas mulheres convivem com essa dúvida por medo ou falta de informação. Conheça, aqui, um pouco mais sobre o assunto.

O mundo ocidental, salvo raras exceções e poucas variações, vê o nascimento de uma criança como uma cirurgia ou o tratamento de uma doença. Cria-se, assim, um clima ao mesmo tempo de enfermidade e cura, como se estivesse nas mãos da equipe médica aliviar sintomas e curar um mal. O resultado é uma mistura de medo, impotência e falta de participação das parturientes.


É certo que os avanços dos procedimentos médicos podem servir ao ser humano e melhorar seu atendimento. Mas é preciso, também, humanizar as práticas e as rotinas durante o nascimento de um bebê dentro de um hospital.


As estatísticas são preocupantes e o índice de cesarianas acima de 50% em relação aos partos normais indica um uso indiscriminado dessa prática.


Os defensores da cesariana argumentam que a mulher sofre menos e que seu corpo é mais preservado. No entanto, sendo uma cirurgia, a cesariana provoca dor mais intensa no pós-operatório, dificulta a recuperação da mulher e ainda pode trazer complicações. Há uma relação entre os altos índices de cesariana e a taxa de mortalidade perinatal.

O nascimento do bebê

Este é um momento único e mágico, e é muito importante que a mãe possa participar mais ativamente das decisões a serem tomadas, num clima de respeito e carinho.

Mas, para poder reivindicar seus direitos e fazer com que sejam respeitados, a gestante tem antes de conhecê-los. E quais são eles?

  • Tentar o parto normal, desde que as condições clínicas permitam.
  • Estar acompanhada no trabalho de parto pela pessoa que ela escolher, seja marido, mãe, amiga, etc.
  • Ao nascer, o bebê deve ser acolhido como um ser humano sensível, evitando ao máximo medidas traumáticas desnecessárias.
  • Poder escolher o momento do primeiro contato com o filho quando se sentir pronta.
  • Poder olhar e ser olhada pelo filho logo após o nascimento.
  • Juntos, mãe, pai e filho terem um momento íntimo e acolhedor no pós-parto imediato, sem interferências.
  • Poder manter o filho no quarto enquanto permanecer na maternidade.


    Embora esses direitos não tenham a força de lei, todos nós, médicos, famílias, etc., devemos lutar para que eles se concretizem.

    Conheça a maternidade

    Todo casal deve visitar a maternidade onde o filho vai nascer. Assim, poderá se familiarizar com os espaços e rotinas de trabalho. Isso porque uma internação hospitalar sempre provoca ansiedade. Uma mãe que participa ativamente de seu trabalho de parto e que estabelece boas relações com o pessoal que a atende mostra-se mais apta a aproveitar o primeiro contato com seu filho.


    Outro ponto importante a ser levado em conta diz respeito à presença do pai durante o parto. Conversando sobre o assunto, o pai pode escolher o tipo de colaboração que deseja oferecer nesse momento.


    A mulher deveria poder escolher sua posição no momento do parto. Embora a grande maioria aceite ficar deitada, sabemos que uma posição vertical é mais fácil para a gestante, pois nessa postura o processo de expulsão do feto leva menos tempo, tornando mais fácil o nascimento.

    Parto normal ou vaginal?

    O parto vaginal é o que oferece maior gratificação para a mãe e seu filho quando o estado de ambos permite. Ele exige mais empenho e paciência por parte da mãe e, também, mais tempo de espera por parte do médico. Mas parto cesáreo também é considerado normal, quando indicado pelo obstetra. Por alguns desses motivos, escolhe-se mais a cesárea, já que o nascimento ocorre com hora marcada e, portanto, gera menos tensão na parturiente. Em determinadas situações é preciso renunciar ao parto vaginal. O "parto normal" então, não é exclusivamente o vaginal, e sim aquele que oferece à mãe e a seu filho as condições mais adequadas para a saúde de ambos, mãe e bebê.



    Parto normal


    A mulher participa ativamente até o momento da expulsão do feto. Não há necessidade de grandes incisões cirúrgicas, apenas um cortezinho na vagina de alguns centímetros chamado episiotomia. Após 5 centímetros de dilatação do colo uterino, injetam-se na mulher pequenas quantidades de anestésicos que não interferem no trabalho de parto. O papel do obstetra é avaliar todas as variantes vitais da gestante: o avanço das contrações, a força e a freqüência das contrações do útero, a descida do bebê pelo canal de parto, os batimentos cardíacos e as oscilações respiratórias.


    Vantagens para a mãe:

  • Menos risco de infecções pós-parto. Estudos mostram que as complicações em mulheres que fazem parto normal é de 19% contra 67% nas que realizam cesáreas.
  • A recuperação é mais rápida. De 6 a 12 horas após dar a luz, a mulher pode se movimentar e andar. Em 30 dias volta às atividades normais.
  • Diminuem as chances de depressão pós-parto. Segundo pesquisa, a gestante se sente mais participativa no parto normal e isso contribui para seu conforto emocional.


    Vantagens para o bebê:
  • O índice de mortalidade de bebês que nascem de parto normal é cinco vezes menor do que o dos que nascem por meio da cesárea.
  • O trabalho de parto faz com que o corpo da mulher passe por importantes reações químicas, que são responsáveis pelo amadurecimento dos órgãos vitais da criança, principalmente em relação ao sistema respiratório.
  • A passagem pela vagina acaba facilitando a limpeza dos líquidos que estão dentro do pulmão do bebê, e ele, então, respira melhor.

    Cesariana

    O bebê nasce por via cirúrgica feita por meio de um corte horizontal na altura do limite dos pêlos pubianos. A mulher é anestesiada e não participa ativamente do trabalho de parto. O obstetra e sua equipe comandam o nascimento, desde a monitorização da mãe até a saída da criança. Ele aprofunda a incisão até atingir a parte inferior do útero, retira o bebê e costura a região.


    Quando é bem indicada?

  • Sempre que houver uma grande desproporção entre o tamanho do bebê e o da bacia da mãe.
  • Se a mulher já tiver se submetido a duas ou mais cesáreas.
  • Se houver hemorragias no final da gravidez, por descolamento da placenta.
  • Se o bebê estiver em sofrimento fetal (sem oxigênio) durante o trabalho de parto e a dilatação do colo não atingir mais do que 5 centímetros.
  • Em algumas patologias como diabetes, cardiopatias e doenças reumáticas como lúpus eritematoso.


    Desvantagens para a mãe:
  • A recuperação é lenta e pode ser dolorida. A mulher leva de cinco a sete dias para se movimentar com desenvoltura por causa do desconforto causado pela incisão e pela ocorrência de gases.
  • Maior risco de infecção cirúrgica.
  • Aumento das chances de depressão pós-parto.


    Desvantagens para o bebê:
  • Risco de prematuridade, porque em cesarianas com data marcada o médico pode errar nas contas e desencadear um nascimento precoce.
  • Dificuldades respiratórias ocasionadas pelo baixo desempenho do bebê na hora do nascimento.
  • Maior risco de mortalidade.


    Para que a mãe se proteja contra uma má escolha quanto ao tipo de parto, deve ficar atenta às recomendações de seu médico:
  • Faça um bom pré-natal, respeitando as consultas e os exames. São eles que garantem sua saúde e a de seu bebê.
  • Tire suas dúvidas. Quanto mais segura, maiores serão as chances de um parto bem-sucedido. Participe de um grupo de preparação para o parto.
  • Na incerteza, caso seu médico indique a cesárea, procure uma segunda opinião.


    * Luciana Meirelles é psicóloga com especialização em Psicoterapia Corporal e coordenadora de Grupos de Gestantes no Instituto de Medicina Fetal e Genética Humana.


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