Domingo, 07 de junho de 2020
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Pais e professores, uma relação delicada

Por Fernanda Maria Garrafa Rocha Campos *


Ao escolher a escola de seus filhos, os pais passaram por um longo e sério processo em busca do conhecimento do método, forma de disciplina, tratamento oferecido e filosofia da instituição. Finalmente... a decisão e, com ela, a expectativa de que acertara

Que maratona! Depois de tudo isso, começa uma importante construção: a da confiança. Mas esta, virá paulatinamente, ao longo do tempo. É fundamental que os pais se sintam seguros, e passem esse sentimento para os filhos.

Educação infantil, o grande começo

É a primeira escola... seu filho ainda é tão pequeno! Muitas vezes ainda é um bebê e as necessidades do dia-a-dia fazem com que, cada vez mais cedo, essa seja a escolha da família.


Ela é e precisa ser especial. Tem que ser acolhedora, recebê-los (a vocês e a seu filho) "de braços abertos" e estar atenta e disponível sempre que for preciso. Assim começa a ser construída uma grande relação de confiança. Todos conhecem seu filho, sabem seu jeito, o quanto está se desenvolvendo e percebem toda e qualquer mudança, positiva ou negativa. É importante, desde já, a conversa, a troca de informações e idéias com professores e orientadores. Esse é um hábito saudável a ser desenvolvido, desde cedo, para prevenir futuros problemas e garantir um crescimento tranqüilo.

Pais e escola, lado a lado

Ao entrar na escola de ensino fundamental, novo recomeço, seja no mesmo espaço ou numa escola nova. É aqui que começa uma nova fase de construção de conhecimento e confiança, tão importante quanto a primeira. As classes são mais numerosas, há mais pessoas trabalhando com as crianças e sua independência já é maior. Isso gera certa insegurança, que exige uma atenção especial.


Os pais sentem-se, muitas vezes, perdidos e, ao invés de procurar ajuda com as orientadoras e professoras, acabam trocando entre si, criando as famosas "panelinhas" na porta da escola. Falam, reclamam, trocam dúvidas, incertezas e ansiedades...mas isso fica entre eles. Sua relação com a escola anterior ainda é forte e, muitas vezes, voltam a procurá-la buscando orientação e ajuda. Cuidado, isso vai complicar ainda mais a formação do novo vínculo. Na verdade, esse é o momento adequado para criar parceria com os profissionais que agora atuam com seu filho.


A escola, por sua vez, percebe a formação desses grupos, mas não se aproxima tentando se comunicar e ajudar. E aí...começam a aparecer problemas, insatisfações, inseguranças. Que, é claro, refletem diretamente no aluno. Quando ele sente o clima tenso, perde-se nas tarefas, dispersa-se, fica inseguro e, muitas vezes, somatiza e se recusa a ir à aula. Os professores percebem, irritam-se com seu comportamento e passam a chamar a atenção e mandar bilhetinhos para os pais.

Como desfazer esse nó

Se você escolheu essa escola é porque ela corresponde às suas expectativas. Portanto, a confiança, precisa existir. Pequenos problemas podem ser rapidamente resolvidos com um diálogo, mesmo informal, com a professora ou orientadora de seu filho. É nessa troca que decisões são tomadas, mudanças de atitude aparecem e refletem direta e positivamente no aluno.


Evite o "ti-ti-ti" com outras mães. Se você sente que algo não vai bem, não se deixe levar pela insegurança. Procure a escola, fale sobre suas ansiedades, expectativas e preocupações. Peça ajuda e ouça o que ela tem a dizer. Aliviará a sua tensão e será um bom começo para construir a relação de confiança.


Procure, também, participar das atividades e acompanhar as tarefas de seus filhos. Acompanhar não significa fazer por eles, nem com eles. Apenas mostrar que está ciente de seus deveres e disponível no caso de dúvidas. Lembre-se sempre: todos têm um objetivo comum - o desenvolvimento de seu filho.

Aliada em todas as horas

Procure enxergar a escola dessa forma. Para ela, o contato com os pais é sempre rico, pois dados e informações novas são acrescidos aos já conhecidos, o que amplia sua visão sobre a criança. É assim que ela obtém recursos para um melhor atendimento e se sente reforçada ao contar com os pais na resolução de problemas do dia-a-dia. As crianças, quando percebem essa parceria sentem-se confiantes, seguras e felizes e isso reflete em seu aproveitamento.


A construção desse vínculo acontece quando são rompidas as barreiras e a aproximação se dá de forma verdadeira. Confiança mútua e atuação conjunta - cada qual com sua responsabilidade e função - responderão de forma positiva no processo de crescimento de seus filhos.

* Fernanda Maria Garrafa Rocha Campos é pedagoga e educadora


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