Sábado, 23 de setembro de 2017
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Autoconfiança nasce em casa

Por Dra. Marinês Carvalho *


Alterações emocionais infantis são absolutamente naturais. Mas saiba que, se você cuidar de suas próprias angústias, estará ajudando a estruturar melhor o futuro de seu filho.

Não se iluda: ser pai ou mãe nem sempre é fácil. Muitas vezes requer uma prontidão física que pode não ser compatível com a prontidão emocional do casal. E é dela, fique certa, que dependerá todo o futuro de seu filho, ainda em gestação. Vocês dois estão adorando a vinda do bebê, mas ainda assim é preciso que se sintam preparados para assumir sua educação, principalmente se forem pais de "primeira viagem". Por isso vale a pena falar de algumas das inúmeras dificuldades que podem acontecer ao longo do caminho da formação da personalidade da criança.


Você certamente já ouviu falar de que tudo o que acontece emocionalmente em sua vida afeta o bebê que ainda está lá, quentinho e confortável, dentro de seu útero. Isso é lenda, acredite! Nenhum estudo científico comprova. A partir do momento em que sair da sua barriga é que o bebê começará a sofrer influências que poderão ajudá-lo - ou atrapalhá-lo! - no processo de formação de sua personalidade. Portanto, capriche nos cuidados físicos e siga todas as orientações médicas durante o pré-natal. E, se tiver qualquer aflição - como estresse, luto, sustos, dissabores - fique tranqüila. Seu bebê não estará sofrendo.


Para que tudo corra bem depois do parto, no entanto, é preciso que o casal se prepare. A tão sonhada chegada do bebê pode estar sendo precedida de sofrimentos e conflitos dos mais diversos. As mudanças físicas são as mais óbvias e visíveis, é claro, e deixam os pais bastante vulneráveis. Alterações de humor, sentimentos de culpa, ansiedade são comuns nessa fase. Esclareça suas dúvidas com o obstetra.

Mães ansiosas, bebês irritados

Chegou a hora, seu filho está quase nascendo! E todas as suas fantasias, boas ou ruins, serão concretizadas. Se tudo correr bem tanto para a mãe quanto para o bebê, a próxima etapa será a da amamentação, dos cuidados gerais com ele. A partir de agora, algumas de suas dúvidas poderão ser esclarecidas pelo ginecologista ou pelo pediatra. Mas fique atenta com você mesma e não deixe suas angústias sem resposta.


Algumas mães se sentem mal ao amamentar: a dor às vezes gera sentimentos de rejeição ao bebê. Mil fantasias podem passar por sua cabeça e você precisará aprender a lidar com elas. Nessa hora, uma ajuda especializada - ou seja, de um psiquiatra ou psicoterapeuta - é fundamental. Saiba que mesmo com poucos dias de vida o comportamento dos pais - principalmente o da mãe - interfere diretamente no modo de ser do bebê.


Mães ansiosas, irritadas, deprimidas, frustradas pela inexperiência em lidar com o novo papel tendem a estabelecer uma dinâmica complicada no meio ambiente da criança. Normalmente queixam-se de que os filhos só choram, que acordam a noite inteira, que não mamam o tempo suficiente. Se nessa fase recebessem orientações mais aprofundadas - com foco na própria estrutura emocional - essas mães já estariam prevenindo problemas futuros, como excesso de agressividade, hiperatividade, baixa auto-estima, distúrbios de sono, entre muitos outros.

É melhor prevenir que remediar!

Cada fase tem seus problemas e para todas elas existem soluções, se você for capaz de reconhecer que, às vezes, precisa de uma orientação psicológica. A retirada da mamadeira, a da chupeta, a das fraldas, por exemplo, devem ser muito bem planejadas para que você se sinta tranqüila e segura do que está fazendo. Dessa forma, as crianças também estarão construindo as bases de sua autoconfiança.


E mantenha-se atenta a toda e qualquer alteração emocional de seu filho. A Psiquiatria Infantil é repleta de recursos capazes de atuar profilaticamente em distúrbios emocionais futuros, gerando adultos mentalmente sadios e bem estruturados para enfrentar a vida.


* Dra. Marinês Carvalho médica psiquiatra infantil, com especialização no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.


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