Segunda-feira, 29 de maio de 2017
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Como salvar o ano

Por Norma Leite Brandão *


Essa pode ser uma época difícil para os pais: segundo semestre, boletins com notas baixas e pedidos da coordenação para um acompanhamento paralelo. Como saber o que é melhor? A quem recorrer?

Passar de ano... As famílias, nesse momento, ficam tão ansiosas com os resultados das avaliações formais e com a busca de soluções que, muitas vezes, atrapalham-se com os caminhos. O que importa é salvar o ano. Compreensível que se pense assim, se imaginarmos tudo aquilo que acompanha uma repetência.



Mas, como cada caso é um caso, é necessário que se reflita sobre a situação específica da criança que apresenta dificuldades de aprendizagem. Em algumas circunstâncias, uma pequena ajuda de outros profissionais pode ser a saída. Porém, vá com calma: há ocasiões em que tentar solucionar de forma rápida o problema pode significar agravá-lo.

Professora particular ou psicopedagoga?

Ambos os profissionais têm atuações importantes quando o colégio não consegue sanar as dificuldades. Mas são indicados em situações diferenciadas. As escolas desenvolvem seus conteúdos, ao longo do ano letivo, de forma que um assunto desencadeie outro e se entrelace com outros tantos. Se o seu filho não foi bem porque não entendeu um determinado conteúdo, provavelmente essa dificuldade se somará a outra no próximo bimestre.


O ideal é que haja recuperação do tema não compreendido tão logo se perceba a dificuldade. Em alguns casos, a própria escola ou uma professora particular poderá resolver a questão. Aqui cabe analisar se a criança, de maneira geral, tem um bom desenvolvimento e se é a primeira vez que apresenta baixo desempenho acadêmico. Cabe, também, averiguar se não conseguiu um bom aproveitamento em determinada matéria ou num conjunto de matérias afins. Esses dados farão diferença no tipo de recuperação que se recomenda e em seu tempo de duração.


É importante que os pais se conscientizem de que o professor particular e a psicopedagoga são profissionais com formações distintas e, portanto, com atuações diferenciadas. A professora particular é uma especialista da área a ser recuperada. Sua ação é indicada, normalmente, quando as questões são mais técnicas, bem localizadas, de rápida resolução, quando um ou outro conteúdo foi perdido, em função de qualquer eventualidade ou, em alguns casos, quando a dificuldade está centrada numa disciplina. Um trabalho que deveria ser realizado a curto prazo.

A questão pode ser maior

Uma criança ou jovem que teve um baixo rendimento no primeiro, segundo e terceiro bimestres, provavelmente não conseguirá recuperar o conteúdo perdido e, ainda por cima, corresponder ao quarto bimestre. Aulas particulares não adiantarão se o aluno se detiver apenas ao assunto que será cobrado na última avaliação. É necessária a retomada da matéria a partir do momento em que começou a apresentar sua dificuldade.


Importante estar atento às razões que levaram o aluno a não responder satisfatoriamente ao conteúdo em sala de aula e à maneira como seu professor ensinou. Esse é um indicador de que ele pode necessitar de uma outra forma de abordagem, do uso de outra metodologia. Em alguns casos, a defasagem é proveniente do ano anterior. Há, então, necessidade de se retomar um longo percurso, reconstruindo toda essa trajetória numa seqüência lógica e encadeada, a fim de que se recupere o que foi perdido.

Uma visão mais ampla

Nessas circunstâncias, muitas vezes, entra em cena a psicopedagoga por ter uma formação diferenciada. Sua preocupação é o ser que aprende, sua grande meta é trabalhá-lo com o objetivo de torná-lo autor de seu processo de aprendizagem. Mais que o mero conteúdo, é levado em conta como o aluno se relaciona com o saber em qualquer área do conhecimento. Para tal irá trabalhar com o desenvolvimento de habilidades tais como raciocínio lógico, linguagem oral e escrita, entre outras.


Essa profissional é de grande auxílio quando a escola, ao esgotar todos os recursos, busca outras formas de atuação. Por meio de uma avaliação psicopedagógica (que inclui a reconstituição da vida da criança e a avaliação nas áreas pedagógica, cognitiva, afetivo-social e corporal), ela tem condições de detectar a origem da dificuldade e os desvios ocorridos, a fim de orientar a família sobre a terapia mais indicada.

Salvar o ano ou aprender?

É necessário, embora difícil, que os pais percebam seu filho sob o ponto de vista do aprendiz e não somente por suas notas. O que ele está conseguindo compreender e produzir de forma significativa? Tem crescido com autonomia? Está envolvido com seus trabalhos escolares?



Encontramos inúmeras famílias alimentando o pensamento de que salvar o ano é tirar determinada nota que favoreça seu filho e evite a repetência. E a sua aprendizagem? Ele pode passar de ano, mas... como será o próximo? Até onde a criança ou o adolescente conseguirá driblar a defasagem na matéria? Todo conhecimento necessita de um tempo para amadurecer e se transformar em saber... e os tempos são diferentes para cada um.


Aprender significa mais do que ir bem nas provas formais, realizadas pela escola. O conhecimento é instrumento que nos habilita à inserção social e nos garante a sobrevivência com dignidade e qualidade de vida. Nesse sentido, o que deveria ter peso, mais do que passar ou não de ano, é a forma como a criança se relaciona com o conhecimento e se tem condições de, competentemente, viver com adequação e sabedoria.


Por isso, só a informação, adquirida para cumprir um programa, não basta. Torna-se mecânica, esvaziada de sentido e, brevemente, esquecida. O que fará toda a diferença é como seu filho a elabora e a transforma em aprendizagem.


* Norma Leite Brandão é pedagoga e educadora.


Comentário:    
       
clicfilhos 10 de November de 2011 | 12h 09

Olá s.k63,
Agradecemos seus comentários. O serviço de Faleconosco ainda funciona sim! Por favor, clique em "Contato" no topo da página ou no link Faleconosco na seção Sobre o Clicfilhos.
A sua resposta foi encaminhada para o seu email.
Escreva-nos sempre que quiser!
Equipe Clicfilhos

s.k63 27 de July de 2011 | 12h 09

Não encontrei outra forma de enviar um questionamento por isso utilizei deste recurso. Particularmente eu gostava mais do outro formato. Não sei se vocês ainda mantém esse serviço de tirar nossas dúvidas junto à especialistas, de qualquer forma, segue a minha. Meu filho é mestiço de japonês com húngaro, tem 11 anos. O pai tem um odor um pouco forte e parece que meu filho puxou a ele, principalmente nas axilas. Ele transpira muuuiiitto. É recomendável usar desodorante antiperspirante ou antitranspirantes, ou que outra solução teria? Desde já agradeço a atenção sempre recebida.

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