Quinta-feira, 25 de maio de 2017
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Brincos, piercings, tatuagens...

Por Lucy Casolari *


Eles são sinais de identidade e, ao mesmo tempo, símbolos das tribos diversas. Mas podem ser, também, motivos para desencadear uma série de conflitos. Afinal, até que ponto se deve interferir na liberdade dos jovens?

A adolescência é uma fase de afirmação, durante a qual a moçada procura construir sua identidade, testando limites e polemizando. Disso os pais já se convenceram, em alguns casos, a duríssimas penas. Têm que negociar e discutir com os filhos uma enorme lista de temas. Assuntos que precisam ser sempre resolvidos de modo positivo para os filhos, é claro! A questão começa a se complicar se a pauta se refere aos polêmicos brincos, no caso dos meninos. Se a discussão estiver direcionada para os arqui-polêmicos piercings e tatuagens, torna-se um problema e tanto, trate-se de mocinhas ou de rapazes.

Como as escolas reagem

Esses adereços e diferenciais que tanto atrito causam nas famílias, são, também, motivo de altas discussões - sobre o que pode e não pode - nas escolas. Algumas têm um posicionamento claro e coerente no sentido de não permitir em hipótese alguma. Essa postura remete à régua, usada nos anos 60, para controlar o tamanho das saias que tendiam, perigosamente, para as minissaias.


Recentemente saíram notícias a respeito das escolas americanas que querem impor limites às calças de cintura baixa, portanto, à quantidade de área abdominal à mostra nas garotas. Há diretoras avisando que a primeira circular do ano trará um tópico especial proibindo a exibição da barriga. Limites, cada escola tem os seus, e deve mantê-los de acordo com seus princípios, desde que devidamente esclarecidos para seus alunos e pais.

Princípios, estilos...

As mais conservadoras, certamente, abominam brincos, piercings e tatuagens, além de exigir uso de uniforme completo e impecável e impor restrições quanto ao comprimento de cabelos e uso de barba ou maquilagem. Se os seus alunos têm um perfil que combine com esse estilo, tudo bem, não haverá problemas, até porque a família provavelmente aprovará essas exigências. Tudo ouro sobre azul, não é? Só que nem sempre as coisas correm sobre rodinhas assim...


Adolescentes se rebelam, em determinados momentos, contra as regras estabelecidas seja pela escola, como, também, pala família. Assim pode acontecer daquela garota, sempre certinha, resolver usar um pirecing ou tatuagem da forma mais visível possível, ou daquele menino que nunca transgrediu, de repente, fazer vários furos nas orelhas e aparecer com vistosos brincos. Nesse caso a escola deverá se definir com clareza, esclarecendo seu posicionamento frente aos alunos, não só àquele que ousou quebrar a regra, como também aos outros. Afinal as leis são para todos.


Os colégios mais liberais convivem melhor com essas novidades, mas costumam ter problemas com a definição dos limites dos modismos. Se não houver uniforme tudo se torna mais difícil. Imagine uma sala de aula em que as meninas exibam o máximo possível do corpo: saias minúsculas, decotes exagerados e barriguinhas à mostra. Quanto de concentração para o estudo sobra aos garotos, após tanta provocação? Costuma haver, nesses casos, uma disputa e negociação, sem fim, entre a escola e os jovens, cada um puxando ou esticando os limites de acordo com os próprios interesses.


Há alguns anos, numa escola que não exigia o uso de uniforme, mas liberava a saia para as meninas e não a bermuda para os rapazes, ocorreu um protesto deles. Foram para a aula de saia! Nesse momento ficou clara a contradição dessa regra... Daí pode-se concluir que, quando a escola não impõe restrições ao uso de adereços, terá que aceitá-los incondicionalmente, pois mais cedo ou mais tarde haverá manifestações às suas incoerências. A moçada é especialista em percebê-las e reagir rapidamente para escancará-las!

Em busca da coerência

Princípios mais liberais ou mais convencionais são, sem dúvida, aspectos importantes no momento de escolher uma escola. Se a família e, principalmente, o jovem em questão têm um estilo mais informal e descolado, haverá um choque com exigências mais conservadoras. Evidentemente a recíproca é verdadeira. Analise bem esses aspectos, pois somente assim desgastes e conflitos serão evitados. Cada instituição tem o seu perfil que a distingue e diferencia das demais. Cabe às famílias a busca da que tenha mais empatia com seus próprios valores e necessidades.


Brincos, piercings e tatuagens atrapalham, realmente, o trabalho acadêmico? A rigor não deveriam, especialmente, se a importância deles for adequadamente dimensionada. São apenas modismos, aspectos exteriores, sinais usados pela juventude para se diferenciar em sua busca de identidade. Não nos esqueçamos de que esse comportamento sempre ocorreu.


Bom senso e equilíbrio, mais uma vez, parecem ser as balizas para a melhor forma de lidar com a questão. Isso vale, é claro, tanto para as famílias como para as escolas. O problema é manter a clareza e a coerência, no corpo-a-corpo com os jovens, deixando os próprios preconceitos de lado. Na convivência cotidiana é preciso ter paciência de monge tibetano, para conseguir estabelecer, em meio às flutuações de humor da moçada e suas urgências inadiáveis, um entendimento mínimo.


Pais de adolescentes e professores estão sempre se debatendo entre o que eles pensam ser o melhor para seus filhos e alunos e o que essa juventude está buscando ansiosamente para si mesma. Coragem, esse tempo passa... embora pareça interminável para quem está no olho do furacão...


* Lucy Casolari é pedagoga e educadora


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