Sábado, 19 de agosto de 2017
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Filhos gays

Por Célia Svevo *


Seu filho se comporta de forma diferente de outros jovens da mesma idade. Você desconfia que ele é homossexual, mas não tem certeza. E agora, o que fazer?

Em geral não é fácil - para os pais e filhos - encarar a homossexualidade, ou seja, o desejo sexual, emocional e amoroso por uma pessoa do mesmo sexo. Por mais que se proclamem despidas de preconceitos, as famílias relutam, num primeiro momento, em encarar a verdade.


Segundo o psicólogo Klecius Borges, de São Paulo, especializado no assunto, há evidências de que fatores genéticos, biológicos e ambientais podem contribuir para o homossexualismo. "O desejo homossexual é espontâneo e involuntário. Não se trata de escolher", ele garante.


Apesar de haver relatos da percepção homossexual muito precoce, já aos 5 ou 6 anos de idade, é na adolescência que ela se torna mais forte. Dependendo do ambiente em que circula, o jovem tende a se sentir encurralado pelo preconceito, pela culpa, pelo temor da rejeição e pela tortura de ter que esconder esse segredo da família e dos amigos. O sentimento de vergonha é muito comum! E quando, finalmente, consegue expor sua orientação sexual, em geral já está num processo avançado de auto-aceitação.

Um caminho difícil

Quando os pais descobrem que seu filho é gay é natural que reajam mal. Além dos preconceitos sociais, começam a se defrontar com os estereótipos relacionados a esse grupo, percebem-se frustrados diante das próprias expectativas e, muitas vezes se perguntam: "onde foi que eu errei?"


"A primeira defesa é negar o fato", afirma Klecius. E essa negação se materializa por meio de múltiplas reações: meu filho está fazendo isso de propósito para me enlouquecer! A culpa é do fulaninho que brincava com ele! "Diante do desespero, os pais chegam a ter atitudes até violentas, tanto físicas quanto emocionais", ele conta.


Para os filhos, o sofrimento maior diz respeito à auto-aceitação, à dificuldade de carregar uma culpa por não ter sido capaz de cumprir expectativas familiares e sociais. Nessa fase, o risco maior é o do afastamento: as relações tornam-se superficiais, revestidas de segredos, mentiras e dissimulação, gerando um grande desconforto na dinâmica familiar.

E agora, o que fazer?

A partir do momento em que o jogo de mentiras deixa de existir, reagir contra é a política menos construtiva. Agora, o mais importante é definir a conduta adequada para ajudar seu filho. Você sabe pouco sobre homossexualismo? Então está na hora de aprender mais!


Acima de tudo, trate de acolhê-lo com carinho, demonstre todo o seu amor e procure aceitá-lo. Abra mão dos preconceitos e convença-se de que ser gay não é ser ou estar doente e, principalmente, que isso não tem volta (desde 1973 a American Psychiatric Association não considera a homossexualidade doença). Tente compartilhar com outros pais os sentimentos que está vivenciando e procure desmistificar o universo gay, despindo-o de todo o folclore que o cerca.


Se o seu filho não quiser se abrir, respeite sua privacidade. E se vocês chegarem - pais e filhos - à conclusão de que precisam de ajuda para lidar com essa questão, uma psicoterapia poderá ser de grande auxílio.


E siga o conselho de Klecius Borges: se seu filho está quieto e tentando não revelar a homossexualidade, não insista. Ou prepare-se muito bem para essa conversa, que poderá lhe soar indigesta.


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