Quarta-feira, 16 de agosto de 2017
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No mundo dos sonhos


Nada como uma boa história para deixar a fantasia rolar. Por isso o Clicfilhos encomendou ao Leo Varella uma nova série de poemas divertidos para os seus pequenos. Confira!

Aninha, a gota d'água

Aninha não sabia que poderia ser uma gota d´água.
Até cair da ponta da torneira pingando
ela procurava por seus irmãos
que também eram gotas.

Quando Aninha caiu da torneira
viu dois deles: Antônio e Pedro.
Antônio na frente e Pedro atrás dela,
como as gotas andam caindo na pia:
uma atrás da outra.

Ao chegar ao ralo da pia
Aninha não ficou triste.
Uma estranha intuição
disse pra ela que ainda veria seus irmãos.

Ela caiu e foi, com muita água
para o rio. Viu sujeira. Viu espuma e
viu um monte de poluição,
mas também viu o Sol
que a fez subir e virar nuvem.

Aninha não se sentia mais gota d´água
mas estava entre seus amigos.
Talvez estivesse entre seus irmãos,
como sua intuição tinha falado.
Aninha estava numa nuvem!

Um dia alguém falou:
-- Vamos cair!
E eles foram.
Um monte de gotas d´água
caíram das nuvens pra terra.

Aninha se sentiu Aninha de novo.
E qual foi seu espanto quando viu seus dois
irmãos caindo junto com ela.

O Antônio falou:
-- Acho que desta vez a gente vai fazer as plantas crescerem.
O Pedro riu:
-- Eu não quero mais ser gota de torneira.
A Aninha, contente, brincou com os irmãos enquanto caíam pra molhar a terra.

Dilermano sabão

Dilermano não era uma barra de sabão,
não era detergente,
não era um produto de limpeza.
Ele era um agente que limpava.

Dilermano era a espuma que limpa.
Dilermano adorava limpar
louças, panelas e quaisquer outros
artefatos.
Ele era parceiro de Glória,
uma esponja de limpeza
fabricada por aí.
Enfim. Dilermano era espuma...
Derrubava a sujeira
e se desfazia em bolhas.
Mas Dilermano reaparecia
quando Glória era espremida
fazendo, sempre, mais espuma.

E limpando a base da pia
da cozinha
tinha o último respiro
nos bumbuns das panelas
e no beijo do sabão
(onde sempre se deitou pra descansar)

Kaka, um prego sem orgulho

Kaka saiu de uma loja de ferramentas,
dentro de uma caixa de pregos.
Era um prego brilhante e forte.
Ele não era orgulhoso: sabia que poderia
segurar qualquer quadro moderno,
mesmo os mais grandões.

Kaka só não sabia como seguraria
estes quadros.
Não tinham explicado a ele
a existência do martelo.
E, todos sabem, um prego
precisa de um martelo.

Quando foi tirado da caixa,
Kaka se sentiu o máximo.
Poderia segurar obras de arte, vasos,
luminárias e, talvez, até móveis.
Quem sabe?

Na mão do dono da casa ele conheceu
seu parceiro:
Oscar, o martelo. E ele falou:
-- Oi, meu nome é Oscar. Você vai segurar uma bela obra de arte.
Um quadro muito bonito. Vou te bater na cabeça, mas não vai doer,
pois você é prego.
-- Eu tenho um pouco de medo, pois é a primeira vez que sou realmente prego - respondeu o Kaka.
-- Nem se preocupe, conheça a Olinda, a parede onde você vai ficar segurando a obra de arte...

Olinda, a parede, que vivia dormindo (como todas as paredes).
Acordou reconhecendo seu nome e disse:
-- Prazer. É bom ter mais um belo quadro.

Enquanto os três conversavam mais uma bela obra de arte foi exposta.
Graças ao Kaka (um prego), ao Oscar (um martelo) e à Olinda (uma parede).

Rick passa roupa

Rick tinha um nome bonito,
mas era um simples ferro de passar roupas.
Adorava seu trabalho:
passava entre botões
num zuuuuuuuuuuuuuuuum

Engomava golas da camisa branca
num zooooooooom

Rick adorava correr entre as
roupas.
Deixar as camisas brancas lisinhas,
as calças prontas pra seus amigos:
os cabides.

Ele tinha aprendido a correr assim
porque a passadeira assistia
a todas as corridas:
de fórmula 1
de fórmula mundial
e de rally
enquanto passava
a roupa dos outros.

Mas Rick sempre sonhou...
numa calça de gigante.
Com uma perna de calça
de 5 quilômetros
deslizando como um carro
e fazendo um belo vinco.

Vindo, o vento, vê tudo

O filho olhou pra grama
e ela tremeu.
Ele sentiu o mesmo cheiro
que ela sentia.
Uma cheiro puro e gostoso,
daqueles que merecem ser cheirados...

O vento trazia o cheiro da chuva
com um sorriso no rosto.

Ele poderia disfarçar e ser
só vento, mas sua educação
sempre fez com que ele (o vento)
anunciasse a chuva.

O filho fechou a janela
e viu as nuvens escuras.

O vento anunciava "chuuuuuuuuuuva"

O filho pegou um papel
e começou a desenhar o vento
em palavras:

Vuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
Vem vindo o vento.


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