Segunda-feira, 21 de agosto de 2017
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Fórmulas infantis

Por Flavia Schwartzman *


A amamentação deve ser sempre a primeira opção de alimentação para o seu bebê. Entretanto, quando a mãe não puder amamentar o pequeno deve receber uma fórmula infantil.

O Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros 4 a 6 meses de vida. Mas se por algum motivo a mãe precisar complementar seu leite, isso deve ser feito com uma fórmula infantil até que a criança complete 1 ano de idade.


Conheça alguns tipos de fórmula disponíveis no mercado:


Fórmulas à base de leite de vaca: são as mais encontradas nas prateleiras das farmácias e supermercados e a primeira opção para os bebês sadios que nascem a termo e que não apresentam história de alergia na família. Apesar de conterem leite de vaca na sua composição, elas passaram por diversos processos que as tornaram mais apropriadas para o bebê. À sua proteína mais facilmente digerível, foi adicionada mais lactose (açúcar naturalmente presente no leite) para que se aproximem da composição do leite materno. A gordura animal foi retirada e substituída por óleo vegetal e, em algumas fórmulas, por gorduras animais mais facilmente digeríveis.


Estas fórmulas podem ser encontradas com baixa concentração de ferro (na verdade, níveis similares aos do leite materno, mas que apresentam nível de absorção muito menor do que o dele) ou podem ser adicionadas de ferro. Alguns bebês nascem com reservas de ferro insuficientes, por isso, quando a fórmula for a opção de alimentação, toda criança deve receber fórmula fortificada com ferro, desde o nascimento até completar 1 ano de idade. Não se preocupe, pois a quantidade de ferro presente nas fórmulas não irá causar constipação.


Fórmulas à base de soja: são recomendadas para os bebês que apresentam intolerância à lactose, galactosemia (doença metabólica caracterizada pela falta parcial ou completa da enzima necessária para digerir a galactose, açúcar presente no leite) ou para os que seguem dieta vegetariana. Estes produtos diferem das fórmulas à base de leite de vaca quanto à proteína (de soja) e ao tipo de carboidrato (açúcar) em sua composição. Elas contêm sacarose e xarope de milho em vez de lactose, que são mais facilmente digeridos e absorvidos pelo bebê. Entretanto, a proteína de soja não é tão boa quanto a do leite de vaca (que, por sua vez, não é tão boa quanto a do leite humano). Além disso, cálcio e outros minerais não são absorvidos tão eficientemente destas fórmulas. Por isso elas devem ser utilizadas apenas quando recomendadas pelo médico.


Muitas vezes são indicadas para bebês que apresentam alergia ao leite de vaca. Mas não há evidências de que as fórmulas à base de soja sejam menos alergênicas do que as fórmulas à base de leite de vaca e muitas das crianças que apresentam alergia ao leite de vaca também são sensíveis à proteína da soja. Para estas crianças devem ser oferecidas fórmulas especiais ou leite materno. Se a fórmula ideal para seu filho for à base de soja, certifique-se de oferecer fórmula infantil à base de soja, e não leite de soja, que é, do ponto de vista nutricional, inadequado para crianças com menos de 2 anos de idade.


Fórmulas especiais: são indicadas para crianças com suspeita ou diagnóstico de algumas patologias, e que não toleram fórmulas à base da proteína intacta do leite de vaca ou à base de soja. Muito freqüentemente, estas crianças apresentam diagnóstico de alergia alimentar, intolerância à lactose ou síndromes de má-absorção. A maioria delas é fortificada com ferro. A escolha da fórmula deve ser individualizada e de acordo com a patologia. Bebês prematuros também necessitam de fórmulas especiais. Para saber qual a melhor, peça orientação ao pediatra ou nutricionista.A criança deve continuar recebendo fórmula até completar 1 ano de idade.


O leite integral (de vaca ou cabra) pasteurizado, em pó ou longa vida não deve ser oferecido antes disso. Ele é mais difícil de ser digerido pelo bebê e pode provocar constipação. Também contém altas concentrações de proteínas e minerais - podendo sobrecarregar os rins da criança - e é pobre em ferro, podendo levar à anemia. Além disso, contém quantidades insuficientes de ácidos graxos essenciais, fundamentais para o metabolismo do sistema nervoso da criança. Pode, também, causar alergia ou intolerância à lactose. Da mesma maneira, bebidas vegetarianas à base de soja ou arroz, mesmo que fortificadas, não devem ser oferecidas a crianças menores que 2 anos de idade.


A partir de 1 ano, a fórmula deve ser substituída por outros tipos de leite, como o longa vida, o pasteurizado ou o leite em pó. Os leites semi ou desnatados não devem ser oferecidos a crianças com menos de 2 anos, pois não contêm quantidades suficientes de gordura e calorias para suprir as necessidades nutricionais desta fase de crescimento acelerado. Além disso, o tipo de gordura presente no leite integral é essencial para o desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso central de crianças até esta idade.


Para crianças entre 1 e 6 anos, os leites mais indicados são o integral, o leite enriquecido com ferro e o leite com adição de vitaminas, que previnem deficiências como a anemia, muito comuns nessa fase. Para as crianças de 7 a 10 anos, o leite integral é o melhor. O leite semidesnatado e o desnatado só devem ser usados quando há história de obesidade e de doenças cardiovasculares na família, com a indicação de seu médico ou nutricionista.

Preparo e armazenamento das fórmulas

A maioria das fórmulas está disponível na forma em pó, a não ser as de uso exclusivo hospitalar. Lembre-se de tomar muito cuidado na hora de prepará-la e armazená-la, pois ela pode ser facilmente um veículo de contaminação para seu bebê. Siga as recomendações de preparo, armazenamento e refrigeração especificados no rótulo.


Ao utilizar a mamadeira, bicos e demais utensílios pela primeira vez, esterilize-os colocando-os em uma panela com água fervente, por 5 a 10 minutos e deixe que sequem naturalmente, sobre uma toalha limpa. Alguns profissionais não acham necessário esterilizar tudo novamente, nas próximas vezes. Lavar tudo muito bem, com água quente e sabão e deixar que se sequem naturalmente sobre uma toalha limpa, ou lavá-los na máquina de lavar pratos já seria suficiente. Entretanto, outros recomendam a esterilização, pelo menos durante os primeiros meses. Por isso, peça orientação ao seu pediatra sobre o que fazer. De qualquer maneira, é fundamental, antes de cada preparo, lavar bem as mãos com água quente e sabão, assim como todos os equipamentos que você for usar para medir, misturar e armazenar a fórmula. Se for utilizar fórmula em lata, providencie um abridor separado só para esse fim. Certifique-se de limpar a tampa da lata com um pano limpo ou guardanapo antes de abri-la. Feche bem o recipiente logo depois de usá-lo.


Utilize a quantidade exata de água para a diluição, sempre de acordo com as recomendações especificadas no rótulo do produto. Fórmulas pouco diluídas (pouca água) podem sobrecarregar e causar problemas aos órgãos e sistema digestivo do bebê, levando até à desidratação. Fórmulas muito diluídas (muita água) não fornecerão as quantidades necessárias de energia e nutrientes e o bebê poderá não ganhar peso e crescer adequadamente.


Siga sempre todos os passos na hora de medir os ingredientes. Use sempre a colher/medida que acompanha o produto. Encha a medida e retire o excesso de pó com a parte plana de uma faca limpa. Evite a utilização de colheres ou outros instrumentos curvos, capazes de alterar a quantidade do produto.


Da mesma maneira, peça orientação quanto ao tipo de água que deve ser usada no preparo da mamadeira e à necessidade ou não de fervê-la. Se você for preparar várias mamadeiras de uma só vez, coloque todas as que não forem ser utilizadas imediatamente no refrigerador. Mantenha-as refrigeradas até a hora de oferecê-las, mas jogue fora qualquer mamadeira após 24 horas, mesmo que tenha sido mantida no refrigerador.

Esquentando as mamadeiras

Não é necessário esquentar a mamadeira antes de oferecê-la a seu filho. Geralmente, ela é servida na temperatura ambiente. Enquanto bebês mais novos podem recusar uma mamadeira fria, os mais velhos costumam aceitá-la facilmente. A melhor maneira de levar a mamadeira à temperatura ambiente é colocá-la, já cheia, numa tigela ou panela com água quente (não fervente) ou debaixo da torneira quente por alguns minutos. Se você perceber que seu filho começou a se mexer, a ficar com fome, tire uma mamadeira pronta da geladeira e já comece a esquentá-la. Assim, na hora em que você e seu filho estiverem prontos, o leite também estará.


Não esquente a mamadeira no forno de microondas. Mamadeiras de vidro podem explodir e as de plástico podem derreter. Além disso, líquidos esquentam irregularmente, por isso é comum haver pontos mais quentes que outros e, portanto, o leite que aparenta estar morno pode, na realidade estar muito quente e queimar seu bebê.


Teste sempre a temperatura do leite antes de oferecê-lo, para se certificar de que está adequada. Chacoalhe a mamadeira depois de esquentá-la, para que o calor do leite fique igualmente distribuído. Depois vire-a de ponta cabeça e deixe cair 1 ou 2 gotas na sua mão. O leite deve estar morno, numa temperatura agradável, e não quente.


Após esquentar a mamadeira, nunca recoloque de volta na geladeira - mesmo que seu filho volte a dormir antes de ter a chance de tomar um pouco. E se ele tomou e ainda sobrou leite (muito ou pouco), jogue fora. Proceda dessa forma com qualquer leite que sobre e que já tenha sido esquentado.



* Flavia Schwartzman é nutricionista, formada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, com especialização em Nutrição Materno-Infantil, Mestre em Nutrição pela Escola Paulista de Medicina.


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