Sábado, 29 de abril de 2017
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Nudez, cada família uma sentença

Por Maria Paola de Salvo *


Ficar totalmente 'à vontade' diante dos filhos exige bom senso e naturalidade. Saiba até onde ir para não chocá-los e preservar sua privacidade!

Você está curtindo uma verdadeira lua-de-mel com seu amor. Além de aumentar a intimidade entre o casal, desfrutar dos prazeres da vida a dois também pressupõe maior liberdade para ficar à vontade em casa, sem se preocupar muito com portas abertas e os olhares dos outros. Mas e quando os filhos chegam?


A partir daí, muitos casais se sentem inibidos e passam a limitar seus momentos íntimos às quatro paredes do quarto. Outros não se incomodam com a presença das crianças, nem se importam de ficar sem roupas ou tomar banho diante dos filhos, já que todos pertencem à mesma família.


Escancarar a intimidade diante dos filhos acaba por suscitar muitas dúvidas nos adultos. Além de se preocuparem com o resultado dessa atitude no desenvolvimento dos pequenos, boa parte dos pais se perguntam até onde ir para não chocá-los e não invadir a privacidade deles.


De acordo com Suzanna Amarante Levy, psicóloga de família em São Paulo, mais importante do que simplesmente transitar nu é o clima estabelecido em casa em torno do fato, bem como a forma de se encarar isso. "Despir-se pode ser tanto um ato natural quanto erótico. A posição e o comportamento dos pais configura o que o nu representa. Já quando a nudez é erotizada, cercada de malícias e preconceitos, ela pode realmente despertar desejo precoce e uma maior erotização nas crianças", completa. No entanto, isso não significa que você deva abrir mão dos momentos de beijos, abraços carinhosos com seus filhos. Relaxe! Entrar no chuveiro junto com seu pequeno para dar banho nele, não vai torná-lo uma pessoa viciada em sexo no futuro.

Esclareça as dúvidas e diferenças

Caso não se importe em ser surpreendido sem roupas, procure ser o mais natural possível nas suas atitudes. Liberte-se de toda angústia e tensão ao se despir diante das crianças. "Elas conseguem captar e decodificar esta `linguagem não verbal´ do corpo e, se perceberem um sinal apreensão por parte dos pais, tendem a encarar a nudez como algo feio ou proibido", alerta Suzanna.


Além disso, o corpo humano desperta muita curiosidade nas crianças. Elas percebem as diferenças físicas entre meninos e meninas e entre o papai e a mamãe, o que acaba por gerar inúmeras dúvidas em suas cabecinhas. Por isso, esteja sempre pronto e disposto a respondê-las. Fale apenas o que elas são capazes de entender, de maneira clara, sem rodeios. Procure mostrar a elas que o corpo é algo bonito, que nada tem de pecaminoso e, por isso, deve ser respeitado.


Normalmente, os pequenos têm necessidade de tocar o corpo dos pais, ainda desconhecido para eles, movidos por uma grande curiosidade. Nesse caso, evite ficar constrangido, deixando claro que o corpo do papai ou da mamãe não é um manequim a ser explorado. Privilegie e preserve a sua privacidade! Afinal, ter momentos de intimidade é importante, não apenas para a vida afetiva do casal, como também para o desenvolvimento saudável da criança. Não há mal algum em tolerar os olhares ocasionais das crianças quando está se vestindo ou tomando banho. Porém, procure não encorajar esta intromissão, explicando que os limites que separam os quartos de cada um devem ser respeitados.


Não se censure por se sentir envergonhado diante dos olhinhos das crianças. Isso não significa que está tratando a nudez como algo proibido. Os pais também podem transmitir aos filhos uma relação saudável com o corpo, mesmo estando vestidos.


Se as bochechas do seu filho andam ficando coradas ao se despir diante dos pais e ele tem preferido se trocar no quarto ou no banheiro, trancado a sete chaves, é sinal de que expor seu corpo a outras pessoas está lhe causando constrangimento. Respeite-o! "A vergonha é importante para o desenvolvimento infantil e é normal a partir do começo da puberdade (9 anos)", explica a psicóloga. Lembre-se de que de nada adianta obrigar a criança a ficar sem roupa, se para ela isso for motivo de desconforto.

Nudez cultural

Desde a Antiguidade Clássica, a nudez faz parte da cultura dos povos. Os gregos tinham o hábito de freqüentar banhos públicos, bem como de participar dos jogos olímpicos totalmente nus. Isso porque, para eles, corpos mereciam ser tão exaltados quanto as mentes brilhantes. No Renascimento, boa parte das obras dos grandes pintores retrataram a nudez, sem qualquer conotação maliciosa. Cercada de tabus ou tratada com naturalidade, a forma de encarar o nu varia de acordo com a cultura e as tradições das civilizações.


Não se admire se algum dia encontrar pessoas nuas tomando sol, tranqüilamente, num jardim da Alemanha, por exemplo. Esse não é o caso no Brasil. Ainda que o culto ao corpo e a sensualidade exacerbada tenham presença garantida nos outdoors, na TV e nas revistas, aqui o costume de tirar a roupa em público se limita a algumas colônias de naturismo. A lei e as convenções sociais reforçam a idéia de proibição em torno da nudez em público, considerada atentado ao pudor, passando a condicionar os costumes das pessoas dentro de casa também.


As famílias que cultivam esse hábito podem ser minoria aqui, mas nem por isso estão cometendo um atentado contra a castidade. O problema é que diferenças culturais e de costumes, mesmo entre lares diferentes, sempre geram conflitos e choques. O que você faria, por exemplo, se sua filha fosse dormir na casa de um coleguinha e voltasse contando que viu o pai da amiga pelado?


Portanto, "mais do que apreciar o ato de ficar nu, os pais devem entender que educar os filhos é criá-los também para a sociedade, de acordo com o contexto social e cultural do lugar em que se vive", explica Suzanna Amarante Levy. Além de evitar situações constrangedoras, isso condiciona as crianças a conviverem em sociedade. Tenha bom senso e as faça respeitar os limites físicos impostos pelos diversos ambientes da casa. Respeite a privacidade, a sua e a dos seus filhos, e ensine a eles que bater na porta antes de entrar faz parte das regras de convivência! Dispa-se, também, dos preconceitos e explique a eles que cada família tem hábitos próprios e modos diferentes de viver.


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