Quinta-feira, 22 de junho de 2017
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Quando mexemos na bagunça dos filhos

Leia aqui um artigo da autora do livro Quem mexeu na minha bagunça?, especial para o Clicfilhos

Por Marilucia Ramiro Gonçalves *


O ideal é ensinarmos nossos filhos, desde pequenos, o valor da organização, da vida que flui. Mas, quando isso não acontece, devemos recuperar esse tempo na adolescência, ajudando-os a se tornarem adultos menos bagunceiros e o lugar onde vivem mais sadio.

Sabemos que todos os indivíduos nascem com suas habilidades, dons e necessidades. A organização da vida também faz parte dessa forma de ser. Algumas pessoas têm verdadeira adoração por ver roupas organizadas de forma extremamente linear e impecável dentro do guarda-roupas, ou organizam livros por ordem alfabética na estante do quarto. Enfim, são pessoas que têm organização no topo de suas necessidades. Outras, por sua vez, acreditam que a bagunça represente a liberdade, ou que “conseguem se entender no meio dela”. Acreditam que vivam bem assim.

Todos os extremos podem ser prejudiciais. Obsessão pela organização pode acarretar distúrbios de comportamento, levando muitas vezes a exigir esse mesmo comportamento do outro, tornando a pessoa “chata”. Por outro lado, em alguns momentos a desorganização pode ser sadia, como na hora em que estamos cozinhando, ou criando algo artístico, por exemplo. A mente tem que estar livre nesses momentos. No outro extremo, viver na bagunça diária também é um problema e talvez até maior. Quando vivemos assim, perdemos tempo procurando coisas, guardamos outras que não necessitamos mais, deixando de abrir espaço para o novo e, por fim, prejudicando até nossa saúde. Assim, numa família podemos ter os dois extremos e aí é indispensável procurar um meio termo para que a vida corra mais sadia e leve

Pais Organizados e filhos relaxados

Se os pais são extremamente organizados, é preciso tomar cuidado para não fazer tudo pelos filhos, organizar por eles. É preciso, sim, desde cedo mostrar para os pequenos que a organização vai tornar tudo mais fácil. Incentive seu filho a guardar ele mesmo o brinquedo depois de usá-lo e antes de pegar um novo. Deixe que ele escolha o melhor lugar da estante para guardar aquele brinquedo; ele vai se sentir responsável por isso, acostumando-se a pegar o brinquedo sempre no mesmo lugar e a guardá-lo da mesma forma.

Na hora de arrumar o armário dele, chame-o para dividir com ele a tarefa de selecionar roupas que não usa mais, as de que mais gosta etc. Além de começar a ter noção de que as coisas precisam ser organizadas para que tudo funcione melhor, ele terá um momento com você e vai ver que organizar pode ser sim momento de alegria e prazer. Leve a criança para a cozinha, deixe que ela mexa na massa do bolo, que coloque os ingredientes e, depois, que lave uma colher, ou um copinho. Com isso, você mostra a ela que é bom fazer algo gostoso para todos comerem e que, por isso, o que vem depois (lavar a louça) é necessário, mas é bom também.

Com o passar da idade, vá aumentando essas atividades. Ao arrumar o armário junto com o seu filho, mostre a ele formas fáceis de organizar. Separe com ele roupas que podem ser doadas a instituições e leve-o para fazer essa doação. Com isso ele aprenderá a desprender-se daquilo de que não necessita mais, a ajudar ao próximo e ainda a ganhar espaço no seu armário. Com o tempo, ele aprenderá que a vida flui melhor com mais organização.

Como ajudar o adolescente

Muitos filhos chegam à adolescência e os pais “super organizados”, até aqui, fizeram tudo: deixaram armários impecáveis – arrumando-os toda semana, e em nome da casa sempre em ordem não tiveram paciência de esperar a criança guardar os brinquedos e o fizeram por ela. Agora o adolescente não tem a menor disposição de guardar nada, o quarto está virado “de cabeça pra baixo”, as roupas do armário caem quando a porta é aberta. Só que os pais pensam: “agora meu filho cresceu, ele é quem tem que arrumar as coisas dele”. Mas, como ele vai fazer isso agora se você não utilizou as dicas anteriores, ainda quando ele era uma criancinha?

Parece um problema e pode ser mesmo se você não ajudar, hoje, esse adolescente, porque com certeza ele se tornará um adulto bagunceiro e a bagunça do quarto irá refletir em outros aspectos da vida futura dele. Acredite, não vai adiantar mandar simplesmente, ameaçá-lo, proibir o uso do computador ou uma saída com os amigos se ele não arrumar o guarda-roupas. Ele não vai saber como fazer, porque nunca o fez. Irá colocar tudo de qualquer jeito para se livrar da ameaça e, dois dias depois, você irá encontrar o quarto bagunçado de novo. Então, encha-se de paciência, de tolerância e, acima de tudo, de amor para ajudar agora seu filho “adolescente bagunceiro”.

Tire um dia para ajudar seu filho, coloque música e faça dessa tarefa um momento agradável. Proponha uma atividade: fotografem o quarto bagunçado, o armário, a estante etc. e ao final da arrumação tirem novas fotos. Ele vai poder fazer a comparação do antes e do depois. Para arrumar o guarda-roupa, comece escolhendo as roupas para doação, depois as que precisam de consertos e, por fim, o que sobrar para ser guardado deve ser selecionado. E siga ensinando-o alguma forma de organizar estas roupas. Faça o mesmo na estante e na mesa de estudo. Deixe que seu filho sinta prazer nessas atividades. Aos poucos você poderá exigir e negociar, mas agora você quer apenas recuperar o tempo perdido.

Mostre para seu filho o valor de se viver bem, o valor da vida que flui, na qual você encontra o que quer rapidamente. Com certeza, com o tempo, ele vai gostar de viver assim, sem exageros, mas com organização.


* Marilucia Ramiro Gonçalvez é autora do livro Quem mexeu na minha bagunça?, da Editora Esfera, em parceria com a psicóloga Celi Piernikarz.

* Marilucia Ramiro Gonçalves é jornalista, com especialização em comunicação empresarial e educação. nmcuritiba@hotmail.com


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