Quarta-feira, 18 de outubro de 2017
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Gap Year

Por Dr. Barry J. Hallinan. *


Este texto é para aqueles jovens que querem ''dar um tempo'' entre o final do colégio e o início da faculdade para viver novas experiências. Se você acha esta uma ideia interessante, leia e mostre ao seu filho!

Um gap year (em inglês, significa “ano vago”, isto é, passar um ano “dando um tempo”, sem trabalho fixo, normalmente fora de casa) é sem sombra de dúvida uma oportunidade única na vida para fazer o que se quer, sem pressão e sem exigências escolares, acadêmicas ou até mesmo pessoais. Esse é um costume relativamente comum entre jovens de alguns países como os Estados Unidos, que tiram esse “ano vago” entre o final do colégio e o início da faculdade. E você, já pensou em tirar um “gap year"?

Um Gap Year é essencialmente uma oportunidade para pensar. A principal pergunta a ser respondida é se um gap year é algo de que você realmente precisa, quer ou merece. Isso deve ser muito pessoal, pois, afinal, você é quem viverá o gap year e não sua família ou amigos. Conhecimento profundo, planejamento bem estruturado e senso de direção são essenciais.

Primeiramente, analise os prós e os contras da maneira mais objetiva possível. Como isso irá afetá-lo? Afinal, você começará a faculdade um ano depois de seus colegas do colégio. Será possível, posteriomente, conseguir uma vaga na Universidade de sua escolha?

Além disso, é essencial planejar com antecedência para que o gap year seja bem-sucedido. Desta maneira é possível evitar experiências desnecessárias e dolorosas que possam fazer com que o tempo seja perdido. Com planejamento, o tempo e o aproveitamento são maximizados.

Alguns aspectos a serem considerados: do ponto de vista financeiro, você (ou seus pais) pode arcar com as despesas? Quando seria a melhor época para tirar seu gap year? O que você pretende fazer nesse período? Viajar? Realizar um trabalho voluntário?

A tabela, na página a seguir, apresenta algumas perguntas e idéias para ajudá-lo nesta decisão:




Tabela 1 de Hempshell, M. (1997) – PLANEJANDO SEU GAP YEAR: Como aproveitar ao máximo a vida trabalhando, estudando ou viajando – p. 12

O que fazer no seu gap year?

Passar um tempo trabalhando é uma opção que, além de ajudar financeiramente, traz ótimas experiências. Mas, isso pode não ser tão fácil de se realizar. Por ser adolescente, talvez você não possua as qualificações necessárias para executar certos trabalhos que gostaria. Ir para outro país trabalhar pode também gerar outros problemas como vistos de trabalho e permissões. Por meio de pesquisas nos consulados dos países é possível evitar situações constrangedoras e desnecessárias posteriormente.

Fazer trabalho voluntário pode ser de fato uma experiência recompensadora a nível pessoal. É uma oportunidade real de ajudar os outros, aprender mais sobre si mesmo e talvez fazer a diferença para aqueles que não tiveram contato com suas doações, contribuições, cuidados ou atenção. Há muitas ONGs no Brasil (basta fazer uma busca na Internet) que estão sempre procurando por voluntários para fazerem parte de suas equipes. Entretanto, há um ponto negativo que precisa ser reconhecido: o trabalho voluntário, na maioria das vezes, não paga as contas.

Por isso, em um gap year talvez seja interessante combinar diversas experiências diferentes: viagem, trabalho voluntário, trabalho remunerado, pequenos programas de estudo, desenvolvimento de novas habilidades, entre outros.

COMO APROVEITAR AO MÁXIMO SEU TEMPO

A melhor maneira de aproveitar seu tempo é organizando um itinerário.
1. Decida o tempo que terá.
2. Decida quais atividades deseja fazer.
3. Classifique-as em ordem de prioridade.
4. Descubra quanto tempo de fato cada atividade terá.
5. Reserve tempo para atividades “necessárias”.
6. Ajuste os outros eventos escolhidos de acordo com elas.

Obtido em Hempshell, M. (1997) – PLANEJANDO SEU GAP YEAR: Como aproveitar ao máximo a vida trabalhando, estudando ou viajando – p.15

Caso tenha organizado suas inscrições em universidades e tenha planejado claramente um tempo de 12 a 14 meses, é importante saber que os futuros empregadores geralmente aprovam e valorizam o período passado fora da sala de aula. Um gap year bem planejado e bem executado sempre trará assuntos significativos para uma entrevista de emprego. É uma oportunidade para demonstrar o quanto você se desenvolveu e cresceu, e exemplos vividos sempre serão bons acréscimos à discussão.

Entretanto, talvez não seja uma boa ideia falar sobre um gap year gasto apenas viajando se não conseguir mostrar como você contribuiu pessoalmente para as vidas das pessoas dos países em que viveu. Não há nada mais desestimulante em uma entrevista do que ouvir descrições de férias prolongadas. Equilíbrio é provavelmente a chave para o sucesso.


OUTRAS 10 DICAS PARA UM ANO BEM-SUCEDIDO

Para aproveitar ao máximo o ano:

1. Comece/parta assim que as provas terminarem.
2. Caso queira tirar férias, faça-o. Ao término, comece a fazer outra coisa.
3. Planeje algo que lhe faça almejar uma conclusão.
4. O outono é um bom período para trabalhar; há mais trabalhos temporários antes do Natal.
5. Há um número muito limitado de coisas para se fazer entre janeiro e março.
6. Saiba ao certo qual curso fará e deixe tudo organizado antes de seu gap year. É mais difícil e complicado estruturar isso depois de sair da escola ou faculdade.
7. Se houver algo que você deseje realmente fazer, faça-o.
8. Sempre tenha um plano B para executar caso algo dê errado.
9. Organize a parte financeira com antecedência. Não fique somente imaginando que terá como custear tudo.
10. Não planeje passar o gap year inteiro com outra pessoa; é provável que algo dê errado.

Tabela 1 de Hempshell, M. (1997) – PLANEJANDO SEU GAP YEAR:
Como aproveitar ao máximo a vida trabalhando, estudando ou viajando – p.101 - 103

A importância do gap year para o seu futuro

Para finalizar, um gap year pode ser empolgante, recompensador, estimulante e divertido se for bem planejado, estudado cuidadosamente e se houver um equilíbrio real entre trabalho, viagem e trabalho voluntário. A etapa de planejamento dever ser realizado no período do Ensino Médio para que a entrada na faculdade seja garantida.

Ampliar os horizontes, aprender com novas experiências, desenvolver um senso maior de si mesmo e dos outros e tornar-se um cidadão consciente do mundo melhorarão a pessoa que você poderá se tornar. É essencial aproveitar o tempo disponível, evitar “não fazer nada” e, além disso, é importante manter uma conexão com a tecnologia em constante mutação.

Se as habilidades de comunicação são aprimoradas, se a iniciativa e a autoconfiança forem desenvolvidas, e se uma perspectiva mais ampla da vida for assimilada, o gap year terá sido útil, produtivo e relevante. No século XXI, o aprendiz independente, receptivo e pensativo terá uma posição melhor perante as exigências que nunca param de crescer.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Hempshell, M. (1997) – (Published by How To Books) PLANNING YOUR GAP YEAR: How to have the time of your life working, studying or travelling.

Doe, T; Evans, H; Jones, H and Steel, D. (2005) – (Published by Lifetime Careers Publishing) Year Off… Year On?


* Dr. Barry J. Hallinan. é Mestre e Doutor em Ciências da Educação


Comentário:    
       
Lupita 20 de December de 2011 | 20h 39

Tive o prazer de conhecer o Prof. Barry J. Hallinan – este artigo è muito completo e iluminante. Obrigada.

A experiência do meu filho pode ser útil para outros.
Meu filho tirou um “gap year forçado” pois não conseguiu entrar na faculdade que queria e não quis aceitar uma menos conceituada.
Foi difícil aceitar que ele deveria “perder” um ano de formação – porque na nossa mentalidade, um ano fora do sistema oficial de ensino parece um ano “perdido”...

Resultado: foi uma ótima experiência! Durante esse ano, ele teve que se preparar para as provas do ano seguinte, preparar um portfólio adequado, nesses meses ele se tornou maior de idade (adquirindo maior autonomia para estudar no exterior), trabalhou no escritório da tia, trabalhou como voluntario num laboratório de carpintaria, tirou 2 carteiras para poder ensinar esqui aquático e ainda deu aulas para crianças...
Chegou na faculdade mais maduro e agora (cursando 2° ano de Arquitetura) já esta falando em trabalhar durante as férias...

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