Quarta-feira, 22 de novembro de 2017
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Proteção que prejudica

Por Carla Oliveira *


Algumas vezes, não são as crianças que precisam de limites e sim os pais! Ao adotar uma atitude superprotetora, os pais podem estar prejudicando os próprios filhos. É preciso saber dosar!

Toda criança precisa de proteção para se sentir segura, amada e confiante. Porém, alguns pais exageram na dose e desenvolvem uma atitude até mesmo de devoção perante seu filho. Acabam criando um mundo irreal para ele, protegendo-o de tudo que possa aborrecê-lo. Uma criança criada com excesso de proteção não experimenta a sensação de resolver seus próprios problemas, de se sentir frustrada, e até mesmo de sofrer. Isso a prejudica na medida em que ela não consegue desenvolver sua autonomia e ainda fica muito ansiosa, com a auto-estima comprometida.


É normal que os pais se sintam ansiosos em querer proteger seu filho, já que vivemos num mundo cada vez mais violento e competitivo. Mas, nem tudo significa uma ameaça. É preciso saber distinguir e, antes de tudo, dar condições para que as crianças aprendam a se virar sozinhas quando for preciso.

Além da conta

Segundo o psiquiatra infantil Haim Grünspun, as mães superprotetoras mantêm contato excessivo com seus filhos, usando diversos artifícios para ficar sempre por perto. "Preocupadas, as mães dormem com a criança, amamentam-na durante longo tempo, dão banho nela até a puberdade, limitam as brincadeiras com outras crianças, fazem as lições por ela, etc", explica o Dr. Haim.


Além de vigiarem seus filhos o tempo todo, algumas chegam a acordar diversas vezes à noite para verificar se eles estão respirando. "Quando a mãe age assim, o pai adquire pouca importância no desenvolvimento da criança, ficando sob a responsabilidade dela a educação e disciplina do filho", ressalta o psiquiatra. É raro o homem apresentar esse comportamento superprotetor.

Porque elas agem assim

Muitos fatores podem gerar ansiedade em um casal e fazer com que a mãe ou o pai tenha uma atitude exagerada em relação à prole, tais como: esperar muitos anos pelo nascimento de um filho; ter filhos com algum tipo de doença ou deficiência física ou mental; morte de um dos filhos; sentimento de culpa por ter rejeitado o feto no início da gravidez; tentativa de aborto, entre outros. "Mudanças constantes de casa, acompanhadas de dificuldades de adaptação ou mu-danças de condições econômicas, quer para uma situação melhor, quer para pior, também são fatores importantes", revela o Dr. Haim.


Em outros casos, são problemas pessoais dos pais que acabam refletindo nesse comportamento. Dificuldades sexuais, carência afetiva durante a infância ou o afastamento da figura paterna na vida da mulher - em função de morte ou divórcio - podem levar à superproteção materna. Pais idosos podem sentir culpa por acharem que estão velhos demais para criar um filho. Geralmente, o primogênito é o que mais sofre com essa ansiedade.


Alguns estudos sugerem que a superproteção possa ser também uma característica inata, em razão de alguma disfunção que provoque aumento da produção do hormônio prolactina. Injeções de prolactina em animais são capazes de exagerar seus sentimentos maternais. "Também foi evidenciada a correlação entre a duração do fluxo menstrual e os anseios maternais. A mulher cuja menstruação dura de 6 a 7 dias têm anseios maiores do que aquelas cujo fluxo é de 2 ou 3 dias", esclarece o psiquiatra.

Sem confundir as coisas

Preocupar-se com a saúde, a segurança e a auto-estima dos filhos é absolutamente normal e, mais do que isso, uma obrigação dos pais. Mas, como tudo na vida, existem limites. Principalmente quando essa proteção passa a causar danos para o desenvolvimento das crianças. É fundamental, nesses casos, procurar a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra.


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