Sábado, 16 de dezembro de 2017
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Primeiro, segundo, terceiro!

Por Carla Oliveira *


Desvende os diferentes comportamentos do primogênito, do filho do meio e do caçula - e saiba como lidar com cada um deles!

Pense em uma família formada por um casal e três crianças. O primogênito deve estar cansado de ouvir que, por ser o mais velho, ele é o mais responsável, o mais ponderado e deve cuidar dos irmãos. O caçula certamente fica todo orgulhoso de receber muitos mimos e ser o centro das atenções. Já o filho do meio, coitado, não agüenta mais ser taxado de problemático! E os pais, no meio dos três, ficam confusos, sem saber a maneira certa de agir!


Esse estereótipo que os filhos carregam não é uma bobagem. De fato, a ordem de nascimento dos filhos tem um grande peso na personalidade das crianças. "O que determina esses estereótipos é uma tendência que os pais têm de comportamento em relação aos filhos", revela a psicóloga Nise Britto. Ela é autora do livro Rivalidade Fraterna, da Editora Ágora, em que aborda diversos temas relacionados aos irmãos. Leia abaixo algumas características do primogênito, do filho do meio e do caçula. Temos certeza de que você irá identificá-las na sua família!

Primogênito: o rei da casa

O primogênito costuma ser o "reizinho da casa". Ele representa a novidade, a ansiedade, a insegurança e a alegria que o homem e a mulher experimentam ao se tornarem pais pela primeira vez. "Quando um papel é desempenhado pela primeira vez, colocamos mais energia na sua execução, mais cuidado, atenção, vigiamos e controlamos mais de perto pequenos detalhes que poderiam nos tirar o controle da situação. Por isso, o filho mais velho é criado dentro de normas mais rígidas que os outros filhos", afirma Nise Britto.


No entanto, o primogênito também sofre com a inexperiência dos pais, que inevitavelmente acabam cometendo erros ao tentar descobrir a melhor forma de cuidar do filho e educá-lo. Ele é um verdadeiro laboratório onde os pais fazem experiências - que nem sempre são as mais adequadas.


Em seu livro, Nise explica que o primogênito sente-se importante por ser imitado pelos irmãos, ser o líder e ter mais responsabilidade. Por isso, ele é, em geral, mais ligado aos pais, mais autoritário e mais conservador. Ele também pode apresentar dificuldade em se subordinar a ordens superiores. Além disso, o primogênito sente-se muito pressionado a não errar, afinal, ele é tido como modelo.

E o filho do meio, onde fica?

Ah, o filho do meio... sempre cercado de preconceitos! Nise Britto rebate às críticas de quem ainda acredita que o filho do meio é o que mais dá problemas aos pais: "O filho do meio deveria ser o filho emocionalmente mais saudável exatamente porque foi criado com menos ansiedade, com mais experiência e mais acertos", explica.


A chegada do segundo filho é mais tranqüila e não traz tanta surpresa para o casal, que antes corria para o pediatra ao menor soluço do primogênito e dava pulos de alegria quando ele fazia rabiscos no papel. E, por falar no primogênito, ele não fica nada feliz com a chegada de um irmão e costuma reagir com ciúmes, raiva, teimosia e desobediência.


Para aplacar a fúria do mais velho, os pais podem se distanciar um pouco do segundo filho e até ser um pouco negligentes em suas funções. E, por não serem tão vigiados pelos pais, os "segundinhos" acabam se tornando mais sociáveis, comunicativos, aventureiros, não gostam de seguir as convenções e admitem o erro com mais facilidade. Também são mais livres, idealistas, sonhadores. Por isso, podem ser taxados de rebeldes.


E, quando chega o caçula, o segundo filho se torna o filho do meio, recebendo ainda menos atenção dos pais. "O filho do meio no fundo se sente um pouco abandonado, como se suas necessidades não fossem tão importantes quanto às dos irmãos. Isso pode desenvolver nele uma atitude de independência desafiadora, e um desapego em relação às normas, às relações afetivas e familiares", revela Nise.


Mas, como bem lembra a psicóloga, o fato dele ser mais independente não significa que seja mais seguro ou mais estruturado. Saiba que seu ar de indiferença e seu comportamento exagerado são sinais de que ele precisa de carinho e atenção. Para combater a insegurança do filho do meio, delegue a ele algumas das responsabilidades do mais velho e alguns dos mimos do mais novo. Ressalte sempre sua condição de "elo da família", já que ele une os outros dois irmãos.

Ah, o caçula...tão mimadinho!

O filho caçula é sempre o queridinho da casa. Ele é visto como um bebê que precisa de cuidados e de proteção. É o próprio filho quem passa essa imagem para os pais, ele é um "dissimulador nato", revela Nise Britto. No livro, a psicóloga alerta que, de tanto representar um papel, o caçula pode acabar adquirindo uma dificuldade grande de se expor em qualquer relação e torna-se muito desconfiado.


O filho mais novo chega na família quando ela já está estruturada, com regras, valores e hábitos estabelecidos. Ele se sente como o "último" a chegar, como se a família tivesse que improvisar um lugar para recebê-lo. E, enquanto os mais velhos - os "pioneiros" - vão crescendo, tornando-se independentes, os pais tornam-se mais indulgentes em relação ao caçula, dificultando seu amadurecimento e crescimento, para que não percam suas funções de cuidar e proteger.


E, quando o caçula percebe que essa situação lhe é favorável, ele começa a dissimulação. Ele não demonstra que cresceu, que já é forte, que sabe se virar sozinho, porque se fizer isso ele perde seu status. Ele retarda a aquisição de autonomia, o que faz muitos pais pensarem que o filho mais novo é mais frágil, mais despreparado para a vida.


O caçula representa para os pais a última experiência e isso traz uma sensação de nostalgia, de angústia. "O caçula, portanto, tem normalmente uma criação regada a mimo, pois alguns pais não conseguem lidar com essa sensação de "fim" e acabam perpetuando a infantilização do filho", explica a psicóloga.


Para não errar com seus pequenos, lembre-se sempre de que cada filho tem suas peculiaridades, suas características e, portanto, suas próprias exigências. "Os pais devem distribuir a atenção e os cuidados de uma maneira equilibrada entre os filhos, não estabelecendo um deles como modelo, nem negligenciando as necessidades de outro", finaliza Nise Britto.


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