Quarta-feira, 28 de junho de 2017
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Mãe em tempo integral

Por Beatriz Luna *


Trabalhar, ter prestígio e ganhar muito dinheiro. Você desistiu de tudo para dar ao seu filho em tempo integral?

Não se desiluda e nem ceda às pressões da sociedade. Ficar em casa cuidando dos filhos não significa deixar de exercer uma atividade que exige esforço e rende alegrias. Pelo contrário, você está ajudando a formar o caráter de um novo indivíduo. Pense no lado positivo. Quem acompanha ativamente o desenvolvimento da criança? Você, que se permite estar por perto quando o bebê pronuncia as primeiras palavras, que esclarece as dúvidas da lição de casa, que testemunha o despertar da primeira paixão!

Ser mãe em período integral não é nada fácil, mas é a melhor maneira de presenciar, passo-a-passo, todas as vitórias do filhote. Pare para pensar em tudo o que compõe a sua rotina: levar as crianças à escola, fazer supermercado, preparar as refeições, arrumar a casa, providenciar soluções para acidentes domésticos, panes na eletricidade, vazamento nos canos... Ufa! Você não chama isso de trabalho?

Sorria e siga em frente

À noite, depois de por as crianças na cama, mesmo cansada, ainda encontra disposição para ouvir o relato do dia do maridão enquanto toma um drinque com ele, antes de ir para a cama. E aí, naquele famigerado almoço de família, você encontra uma prima distante que diz: "preciso tirar férias não agüento mais trabalhar. Você é que tem sorte, fica em casa o dia inteiro e não faz nada".

Com um sorriso acanhado, e cheia de culpa, você pensa: ela nem imagina como meu cotidiano é tumultuado. Quantas vezes você já sentiu essa sensação de desprezo? Infelizmente, a sociedade está repleta de preconceitos. Mas não desanime. Erga a cabeça e orgulhe-se de ser mãe em tempo integral. Várias mulheres estão na mesma situação e driblam a cobrança dos grupos sociais com bom humor e muito respeito.

Abaixo o desrespeito

Ann Crittenden, ex-jornalista americana, é um exemplo de como quebrar tabus. Acostumada a almoços de trabalho em locais badalados, entrevistas interessantes e à louca corrida contra o relógio própria da profissão, decidiu renunciar a tudo para trocar fraldas e passar noites em claro embalando o bebê.

Disposta a levantar a bandeira da supermaternidade, relata toda a sua mudança no livro lançado nos Estados Unidos em 2002, "The Price of Motherhood: Why the Most Important Job in the World is Still the Least Valued" (O Preço da Maternidade: Porque a Profissão Mais Importante do Mundo Ainda é a Menos Valorizada), ed. Metropolitan Books, ainda sem tradução no Brasil.

A grande mensagem da publicação é reafirmar que a profissão de "mãe" é essencial à sociedade. Toda mulher tem o direito de decidir entre o "emprego" fora ou dentro de casa. Por favor, nada de cobranças e desrespeito. Esqueça os preconceitos da sociedade e orgulhe-se!


* Beatriz Luna é jornalista e mãe de três filhos pequenos.


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